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20.04.2017

Lula está morto, mas os que o defendiam ainda agonizam

Por: Felipe Sandrin

Os ratos são os primeiros a abandonar o barco? Nem sempre, pois há dois tipos mais comuns de ratos, os com algum nível de inte­ligência e aqueles com o cérebro apoiado sobre desgastadas muletas.

Há ainda os que defendam Lula, mas precisamos tomar cuidado com eles. Vejam bem, podem essas pobres almas não serem mal­-intencionadas, bem provável, aliás, sejam apenas aleijadas intelectu­almente. Distúrbios evidenciam os sintomas: “mas não foi só o Lula que roubou”. Como eu disse, devemos ter cuidado com os poucos que sobraram a defender o esfacelado Lula. São tão vítimas quanto todo o povo, são vítimas da cegueira denominada ignorância.

Lula representou a esperança, ele trouxe para muitos que já ha­viam desistido uma nova luz contra a corrupção que sempre assolou o país. Mas o preço da esperança é alto, quem vende a esperança vende algo sagrado, quem engana através dela paga caro.

O homem do povo vivia entre os milionários, entre os emprei­teiros, esbanjava sem medo e ditava o rumo de outros países. Vestiu a capa vermelha da esquerda, se julgou intocável. Seus filhos osten­tavam mulheres e bebidas caras. Em um vídeo, Lulinha questiona: “Que crise? Eu não vejo crise”.

Choram as viúvas – algumas em silêncio –, outras se debatem. Choram a vergonha de terem acreditado até o último momento no “Papai Noel”. Por vezes, olho para Lula e penso: deve ser um cara legal em festas de Natal e fim de ano. O típico tiozão que grita: “É pavê ou ‘pá cumê’?”.

Lula está morto, mas a farsa no Brasil não acabará tão cedo. Fácil saber por quê: o motivo vai além dos políticos que lá no alto seguem e de tudo o que ainda há por se descobrir. Vejam as frentes sindicais, observem os malucos que ainda rogam pelo “deus” Lula: Há como um país habitado por tais boçais progredir?

Lula, o homem que teve um sonho, o sonho de viver entre os ri­cos, o sonho de só precisar tocar os pobres em épocas de campanha ou no desespero de não ser preso. O homem que saiu do nada e sentou­-se à mesa dos milionários como igual, tão ladrão quanto. O homem que hoje gasta milhões com os melhores e mais ricos advogados do país. Lula, o homem sem amigos, delatado, entregue, desmoralizado e humilhado por cada nova testemunha que lhe aponta o dedo.

Mas calma, desesperados, há de se erguer nos próximos tempos uma nova falsa esperança, um novo rosto humano que represente a mudança. As massas burras estão carentes, elas precisam de um novo peito – mesmo que sem leite – que as confortem. Choram pelos can­tos os órfãos que assistiram ao papai Lula se estrebuchar nas valetas da ganância: Ah, a ganância, sempre ela!

No silêncio de um quarto, Lula agoniza. Só sobraram as vozes dos que ele verdadeiramente odeia: os pobres. Sim, foram esses que Lula mais prejudicou, pois ao fim são sempre os mais fracos que sofrem.

Aclamado pelos pobres, mas amigo apenas dos ricos. Talvez se Lula tivesse sido amigo dos pobres, existisse a ele alguma fidelidade, mas Lula escolheu ratos treinados e esses não pensaram duas vezes quanto precisaram lhe apontar como chefe da quadrilha.

Mas há um legado positivo em tudo isso. Lula deu rosto aos hi­pócritas, aos canalhas e aos burros. E hoje é muito mais fácil saber se convivemos com alguns deles.  

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Felipe Sandrin

Músico, compositor, escritor e palestrante. Autor dos livros “Amor Imortal” (2008) e “Eu vi a rua envelhecer” (2015), uma coletânea de crônicas publicadas no SERRANOSSA, para o qual escreve desde 2005. Teve seu primeiro CD, "Lados Separados", lançado em 2011. Em 2016, as músicas de seu álbum solo chamado "Adeus Astronautas" trouxeram a motivação para a publicação de seu terceiro livro, um romance intitulado "Sempre Haverá Junho".

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Edição 622
11.08.2017

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