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20H35 | Quarta-feira, 16 de agosto de 2017

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18.05.2017

Eu julgo, tu julgas, ele julga

Por: Greice Scotton

Eu conheci um homem que matou o próprio pai e um tio que atirou na cabeça do sobrinho. Minha amiga tem um primo cuja esposa se jogou da sacada em frente aos filhos pequenos, outra tem um familiar que tomou uma cartela de comprimidos na tentativa de morrer. Tenho um amigo que cheira cocaína, outros que ainda dirigem depois de beber. Perdi uma pessoa querida que provocou um acidente de trânsito pela simples teimosia de não querer cuidar da própria saúde e que, além de morrer, matou outras pessoas que não tinham culpa alguma. Conheço um jovem que atropelou um grupo de ciclistas, uma mulher que envenenou vários gatos na vizinhança, outra cujo hábito de fazer fofoca destruiu longos relacionamentos em vão. Tive uma conhecida dos tempos de escola assassinada pelo namorado, enterrei vários amigos vítimas da imprudência alheia ou própria no trânsito. Uma colega de trabalho conviveu dolorosamente com um pai alcoólatra por anos, vi um amigo chegar ao fundo do poço a ponto de vender as maçanetas das portas de casa em troca de crack e depois dar a volta por cima de forma exemplar. Uma conhecida cujo namorado filmou cenas íntimas e jogou na internet. Outra que chantageou um homem casado com quem saía escondida do namorado. Conversei com uma senhora que até hoje não sabe como caiu no “golpe do bilhete” e outra que escapou dele porque, de pessimista que é, não acreditou que haveria dinheiro tão fácil. 
O que toda essa gente tem em comum, assim como você e eu? São humanos, passíveis de decisões erradas que, em uma fração de segundo, podem mudar ou destruir uma ou mais vidas para sempre. E quem de nós está livre disso? Absolutamente ninguém! Na próxima esquina, você pode atropelar alguém tanto quanto pode ser atropelado. Ou pode se tornar um assassino ao reagir a um assalto ou ser morto justamente por reagir. Não é à toa que alguém em alguma época remota criou o ditado “nunca diga desta água não beberei”.
Claro que há o tal livre arbítrio e que algumas pessoas facilitam ao se arriscarem ou são simplesmente a mais real representação do mau-caratismo. E, tão claro quanto, há aquelas que jamais admitirão que erraram, enquanto outras farão questão de pagar as consequências de seus atos porque não conseguiriam conviver com a própria consciência. 
O fato é que nenhum de nós está isento de tomar uma decisão errada e esse, por si só, seria argumento suficiente para tentarmos julgar menos os outros. Mas a maioria de nós não consegue e, pior, faz questão de expressar sua opinião para o mundo, especialmente através da internet. Esquece que por trás de uma vítima ou de acusado há familiares, amigos, conhecidos e outros seres humanos tão imperfeitos quanto cada um de nós. Vai dizer que você nunca pensou algo tipo “se morreu foi porque alguma coisa aprontou?”.
Então, sugiro uma reflexão: a sua opinião fará alguma diferença? Se a resposta for sim, vá em frente. Se for não, repense, coloque-se no lugar da pessoa que você vai julgar publicamente. E se fosse você? Ou alguém que você ama? Alguns usarão como argumento que todo mundo julga os outros da mesma forma que é julgado, infelizmente uma verdade. Quer forma melhor de acabar com esse círculo vicioso do que tentar mudar isso? Não julgar é um exercício de paciência, que exige sacrifício e determinação. Mas, como praticamente tudo na vida, é um hábito que pode ser mudado. Basta vigiarmos os pensamentos, as atitudes e os sentimentos. 
Assim como você, conheço muita “gente boa” que cometeu erros, tantos quantos eu e você, mesmo que involuntariamente. Isso não nos torna mais ou menos humanos que os outros. Mas o jeito como os julgamos, isso sim mostra quem somos.

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Greice Scotton

É editora-chefe do Grupo SERRANOSSA desde 2010. Formada em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo, pela Unisinos, tem na fotografia e na Língua Portuguesa duas de suas grandes paixões.

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Edição 622
11.08.2017

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