Educação/Bento Gonçalves05.04.2012 | 14H36

Escolas ainda se adaptam ao Ensino Politécnico

Reestruturação do Ensino Médio no Estado abrangerá gradativamente todas as séries até 2014

Fotos: Katiane Cardoso

Escolas ainda se adaptam ao Ensino Politécnico

Bastante criticado no início, o Ensino Politécnico passa a ser visto como uma nova possibilidade de preparação para a vida acadêmica, através da intensificação de pesquisas. O novo modelo está em vigor desde o início deste ano em todas as escolas estaduais do Rio Grande do Sul. Entretanto, algumas ainda enfrentam dificuldades para atender a todos os alunos do 1º ano do Ensino Médio, sobretudo em relação à falta de infraestrutura, problemas relacionados ao transporte e indisponibilidade dos alunos que trabalham, já que as atividades ocorrem no turno contrário ao das aulas convencionais.                                                                                                          

A reestruturação passou a ser discutida ainda no ano de 2011. “O Ensino Politécnico, mais conhecido como Seminário Integrado, é um componente curricular criado para atender a necessidade de despertar o senso crítico nos estudantes. A implantação da modalidade exigiu que fosse ampliada a carga horária anual em 200 horas/aula. Para isso, as atividades podem ser realizadas no contraturno escolar”, descreve Luciane Dutra Ribeiro, coordenadora pedagógica da 16ª Coordenadoria Regional de Educação (16ª CRE).

Cada escola pode escolher os temas que serão abordados nos seminários, tendo como eixo central o mercado de trabalho. A implantação será gradual, ou seja, neste ano, o ensino Politécnico está sendo ministrado apenas para as turmas de 1º ano do Ensino Médio. A partir de 2013 será ampliado para o 2º ano e em 2014, para o 3º.

Segundo a 16ª CRE, até o momento somente membros da direção das escolas passaram por treinamentos, no ano passado. “Estamos projetando que ainda neste ano sejam formados profissionais para qualificar ainda mais os trabalhos realizados junto ao Ensino Politécnico”, descreve.

Na prática

Colégio Estadual Dona Isabel: O principal problema é a falta de professores. “Faltam ainda alguns profissionais para atuar no ensino normal e, consequentemente, no Politécnico. Como é uma metodologia nova, ainda enfrentamos algumas dificuldades, principalmente no turno da tarde, quando são atendidos os alunos que estudam pela manhã. A escola não possui espaço para suprir essa nova demanda, mas estamos nos adaptando”, destaca a diretora da escola, Denise Cristina Rossatto.

Colégio Estadual Landell de Moura: Como os profissionais que atuam nos seminários são os mesmos que ministram as aulas, a escola optou pelo remanejamento: “Fizemos uma reunião com os professores e analisamos quais estavam com sobra de carga horária. Como eles já estavam engajados como o projeto, não tivemos dificuldade em encontrar profissionais”, descreve a diretora Vanice Somensi Marconi. Na avaliação dela, os resultados já estão surpreendendo. “No início, ficamos preocupados se o projeto seria bem aceito tanto pelos estudantes quanto pelos pais. Mas com as turmas da manhã, estamos bastante satisfeitos. Eles estão realizando pesquisas sobre a migração italiana e na próxima semana sairão a campo para qualificar o trabalho. Os alunos relatam que estão gostando bastante do novo método de ensino”, conta. As primeiras apresentações dos resultados das pesquisas devem ser realizadas no mês de maio.

Escola Estadual Mestre Santa Bárbara: A integração com a comunidade é uma das apostas para incrementar a qualidade dos trabalhos, já que eles serão apresentados em uma mostra aberta ao público, como já ocorre em outras situações. “Temos como tradição apresentar os resultados a toda comunidade. Quando o evento é aberto, os alunos acabam se esforçando ainda mais” explica a diretora, Margarete Egami.

Ela conta que houve resistência até mesmo da direção, em função das dúvidas e demandas que surgiram: “No início eu fui contra o projeto, mas com o tempo acredito que ele possa ficar bom. Ainda enfrentamos problemas de recursos humanos e com o fato de muitos alunos que estudam no período noturno trabalharem durante o dia e não terem como frequentar a escola em outro período. Há também a questão envolvendo aqueles que moram em locais mais afastados e permanecem na escola durante o período do almoço para poder comparecer às atividades à tarde”, relata a diretora.

Escola Estadual Imaculada Conceição: Como nas demais escolas da cidade, na Imaculada Conceição os trabalhos iniciaram no primeiro dia do ano letivo. “Estamos nos adaptando. Além da coordenadora do projeto, diversos professores, de diferentes áreas, participam do programa. Optamos por realizar trabalhos que serão apresentados a cada dois meses, sempre abordando uma área diferente de conhecimento”, explica a diretora, Rose Mary Moreira.

Escola Estadual Professor José Pansera: Devido a problemas relacionados ao transporte, os 28 alunos inicialmente realizavam os seminários a distância. “Por enquanto realizamos apenas dois encontros, pois, devido à falta de transporte escolar, nossos alunos não tinham como participar. Como esse problema foi sanado, eles passaram a frequentar o contraturno à tarde. Estamos com boas expectativas pelo trabalho que vem sendo desenvolvido”, descreve Beatriz Marchetto Sganzerla, supervisora escolar.


Primeiros resultados

Os alunos do Mestre Santa Bárbara estão trabalhando temas como sustentabilidade, segurança no trânsito e cidadania. “Queremos mostrar que podem ser reutilizadas as peças de roupas e evitar o consumismo. Uma alternativa é a customização, que permite um reaproveitamento de peças antigas”, descreve a estudante do 1º ano Charline Seben, de 14 anos. Ela e outras nove colegas realizam pesquisa em busca de alternativas para embelezar as peças a baixo custo. “As pessoas são muito influenciadas ao consumismo pela mídia. Queremos mostrar que as peças podem ser reaproveitadas e que pode haver economia. Durante pesquisas para desenvolver o trabalho, descobrimos também que muitas empresas que fabricam tecidos não dão a destinação correta aos dejetos. Com a customização, pode ser diminuído o consumismo e os danos ao meio ambiente”, destaca.

 

Reportagem: Katiane Cardoso

 

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