Serra2/Opinião17.02.2012 | 11H25

Felipe Sandrin: O que me revolta são as revoltas

"Garotada bêbada ao volante, acelerando e queimando pneu? Isso já deixou de ser novidade em Bento"

Felipe Sandrin: O que me revolta são as revoltas

Já comentei diversas vezes sobre a falta de percepção, mas o farei novamente a fim de fazer várias pessoas fecharem a cara e, consequentemente virarem, esta página do jornal.

Galerinha revoltada com o atropelamento na avenida Planalto, falando em justiça, em matar o responsável. Tudo bem, revolta óbvia e cheia de motivos. Mas de onde vem a surpresa? Quer dizer, como pode a sociedade bento-gonçalvense ficar abismada com o ocorrido?

Sem hipocrisia, ok? Todos sabemos como é o público que costuma frequentar o bairro Planalto. É lá que os ditos “filhos de papai” gostam de ir. Por conta disso, esse é justamente um dos locais menos patrulhados da cidade. Bastam alguns minutos na avenida para vermos de tudo. Garotada bêbada ao volante, acelerando e queimando pneu? Isso já deixou de ser novidade em Bento Gonçalves.

Pelo tanto de coisas que é possível ver neste determinado local, devo dizer que é um milagre o número de vítimas não ser ainda maior. É muita irresponsabilidade – tanto do motorista quanto das autoridades que insistem em não agir com rigor em devida área, justamente por medo de abordarem os filhos poderosos da cidade dos sobrenomes.

Estive aí mês passado, fui tomar o tradicional chimarrão e ver como estavam as coisas. Sentado na praça localizada em frente à Casa das Artes comentei com um amigo: “Observe a cultura acéfala da nossa geração”. Vidros abertos, som “bombando”, braço pra fora e pneus cantando.

Vão querer me convencer de que é uma “fase”? Isso aí é falta de pai e mãe, falta de vergonha na cara de quem devia dar o exemplo. Isso é um tapa na cara da nossa sociedade elitista que tem como lema em bandeira: “paz e trabalho”.

Morreu de forma traumatizante uma mãe. Não tem volta e isso traz revolta: mas há algo que indigna ainda mais. Saber que nada vai mudar, que por algumas semanas apenas serão tomadas medidas mínimas, é algo que evidencia o transtorno de adaptação do nosso povo mediante as impunidades óbvias.

Meus pêsames para as duas famílias e principalmente para nossa cidade, pois quem morre em uma tragédia prevista não é somente a vítima e, sim, toda nossa sociedade.

 

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