“A dor é intensa e o cansaço é extremo”, diz moradora de Bento que se recupera da dengue

Roseli Wirlem Almeida, de 42 anos, relata rotina exaustiva na luta contra doença e faz alerta para que população volte a ficar atenta a possíveis focos do mosquito

Foto ilustrativa. Crédito: Agência Brasília

*Matéria atualizada dia 27/04

“Onde estava a dengue durante a pandemia da COVID-19?”. A pergunta tem sido recorrente em todo o país nos últimos meses e algumas teorias conspiratórias já surgem como resposta. Apesar disso, uma das explicações pode ser mais simples do que parece: ela sempre esteve presente, mas acabou sendo deixada de lado. Com as ações e campanhas de combate à pandemia em alta, muitas pessoas acabaram relaxando nos cuidados contra o famoso mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O resultado são mais de 12 mil casos confirmados no Rio Grande do Sul até o momento – mais que o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado.

E assim como na pandemia da COVID-19, há muito mais por trás de meros números.

Há mais de dez dias, a moradora de Bento Gonçalves Roseli Wirlem Almeida tem passado por momentos difíceis na luta contra a dengue. “É horrível. A dor é intensa e o cansaço é extremo. Até os olhos doem. Muita febre. A cabeça parece que vai rachar. Vômitos que não dá para aguentar, porque você já não tem mais nada para colocar para fora. Você vomita tanto que começa a vomitar sangue”, conta a operadora de caixa, de 42 anos.

Foto: arquivo pessoal

Os sintomas começaram mais leves, como dores no corpo. No domingo retrasado, dia 17/04, ela decidiu buscar atendimento na UPA 24h do bairro Botafogo, mas sem qualquer suspeita de dengue. “Fui atendida e me mandaram para casa, dizendo que poderia ser COVID-19. Na segunda [18/04] fui trabalhar bem ruim e tive que retornar à noite. Parecia que a dor era nas articulações”, recorda Roseli.

Foi então que o médico plantonista levantou a suspeita de dengue. “Eu estava muito cansada e falei para o médico que não aguentava mais. Minha pressão também estava muito alta. Então fiz um hemograma e o doutor constatou que eu estava com dengue, porque minhas plaquetas estavam muito baixas”, recorda.

Na terça, 19/04, após receber soro e medicamentos na UPA, Roseli foi para casa. Mesmo assim, as dores não diminuíram. “É algo horrível. Eu também tive COVID e não fiquei tão mal quanto fiquei nesses últimos dias”, compara. Na segunda, 25/04, a moradora voltou ao trabalho, mas ainda relata fraqueza e dores pelo corpo.

Diante dos dias difíceis, Roseli deixa o alerta: “deem atenção, porque a dengue não é brincadeira. É uma doença que também mata. As pessoas precisam voltar a dar atenção para aquele vasinho de plantas, para aquele pneu parado e aquela caixa d’água destampada. Hoje fui eu, mas amanhã pode ser você, e tudo por conta do desleixo da população”, lamenta.

Em sua casa no bairro Progresso, Roseli conta que não foram encontrados focos do mosquito. “Mas no vizinho encontraram. A caixa d’água dele foi limpa, mas não adianta apenas uma pessoa fazer a sua parte”, ressalta.

Sobre a testagem

Apesar do relato da moradora, a prefeitura segue afirmando que há apenas um caso confirmado de dengue em Bento, que teria sido contraído de fora do município. Outros 26 seguem em análise e um aguarda a contraprova do Laboratório do Estado (Lacen), após ter sido confirmado por laboratório particular.

Conforme a secretária de Saúde Tatiane Fiorio, todos os pacientes com suspeita de dengue passam por coleta de hemograma, “um dos exames que serve como base” para identificação da doença – como foi o caso de Roseli Wirlem Almeida. A notificação da suspeita é encaminhada para a vigilância epidemiológica, que faz a coleta específica da dengue para encaminhamento ao Lacen.

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