Anjos Unidos conta com o apoio da comunidade para construção de parque 100% adaptado

Vilarejo de Integração Anjos Unidos, localizado nos Caminhos de Pedra, terá pistas para bicicletas, karts e outros veículos motorizados, tirolesa, casa na árvore, passeios off-road, brinquedoteca, fisioterapia e demais atividades voltadas a pessoas com deficiência

Fotos: Eduarda Bucco

Há alguns anos, quando decidiram fazer uma parada nos Caminhos de Pedra para entrar em um estabelecimento, o casal Alcindo Riviera e Ivanice Alessi Riviera e a filha Amanda Riviera não imaginavam que iriam encontrar um terreno especial. Responsáveis pela criação da Associação Anjos Unidos, voltada para pessoas com deficiência, a família vinha procurando um lugar que pudessem utilizar para lazer e para algumas ações da associação. Entretanto, ao perceber a magia do local, eles logo passaram a imaginar o que hoje se tornou o projeto do primeiro parque 100% adaptado do país.

O Vilarejo de Integração Anjos Unidos contará com pistas para bicicletas e veículos motorizados – já utilizados pela associação em eventos anuais – cabanas adaptadas, fisioterapia, brinquedoteca, restaurante, clube de mães, tirolesa, casa na árvore, banho de riacho, passeios off-road e muito contato com a natureza. São mais de três hectares de parque e outros dois hectares de mata, que possibilitarão experiências “in natura”. “Tudo que uma pessoa sem limitações fizer aqui dentro, a pessoa com deficiência vai fazer também. E vai fazer mais, porque somente eles vão ter acesso ao rio e a certas atividades do parque”, explica Alcindo, presidente da associação. “Os cadeirantes vão conseguir sair do veículo e circular sozinhos por todo o parque”, continua.

A ideia de construir um espaço inteiramente adaptado foi aliada à necessidade de possuir um local próprio para a associação. Com mais de 150 famílias cadastradas atualmente, a Anjos Unidos se tornou uma oportunidade de entretenimento e lazer para todos. “É sempre difícil conciliar a locação da pista de kart com um pavilhão do Parque de Eventos. Teve um passeio [atividade que envolve passeios de bicicletas, quadriciclos, charretes e karts adaptados] que precisamos transferir a data e algumas crianças acabaram indo para o hospital devido à ansiedade e à frustração de não ter sido realizado o evento”, recorda Alcindo. “Foi então que passamos a entender a real importância desses momentos”, comenta.

Em abril de 2019, a Anjos Unidos deu início à construção do Vilarejo de Integração. Hoje, o espaço já começou a tomar forma. Pontes, pistas e a primeira estrutura do local, que deverá abrigar estacionamento para os veículos adaptados, restaurante e lojinhas para comercialização de produtos feitos pelas mães de pessoas especiais já estão em pé. A previsão é que, ainda neste ano, os passeios já possam ser realizados no local.

Mesmo ainda longe da conclusão, o parque já emana vida. Nos fins de semanas, diversas famílias associadas visitam o espaço, simplesmente para curtir um momento de paz em meio à natureza e confraternizar com pessoas queridas. Além disso, no espaço de mata, a associação já vem realizando atividades como trilhas diurnas e noturnas, as quais fazem parte de uma atividade de contato com a natureza intitulada “Experiência Natura”. A atividade é realizada em grupos e parte do valor é revertida para a construção do parque.

Funcionamento do Vilarejo de Integração

A ideia é que o parque esteja disponível para visitação todos os dias da semana, em horário comercial. A entrada será gratuita para pessoas com deficiência e os valores arrecadados com as atividades no local serão inteiramente revertidos para a manutenção do parque. Além disso, o presidente Alcindo revela que a intenção é tornar o espaço 100% sustentável, com a utilização de água de poço e energia solar. “Procuramos preservar ao máximo a natureza, com poucas intervenções. A ideia é que realmente as pessoas venham aqui para se conectar com o ambiente. Hoje em dia as crianças conhecem tudo, mas somente pelo celular. Aqui elas poderão conhecer de perto diferentes espécies de plantas, caminhar entre árvores centenárias e ambientes cheios de história. Nesse local, há muito tempo, tinha uma ferraria, então ainda é possível encontrar algumas ruínas”, revela Alcindo.

Ainda, o objetivo é que o time de colaboradores do parque seja formado por familiares de pessoas com deficiência, que também terão espaços para a venda de seus produtos. “A maioria das mães não consegue trabalhar fora, pois se dedicam aos cuidados de seus filhos. Mesmo assim, cria diversos produtos em suas próprias casas, como artesanatos e alimentos caseiros”, explica Ivanice. “Então esse ambiente será uma oportunidade de trabalho para elas, além de um local de integração e de troca de experiências com outras famílias”, comenta.

Como ajudar na construção do parque?

Atualmente, a Associação Anjos Unidos está promovendo a campanha “Concreto do Bem”, por meio da qual as pessoas podem doar valores para a aquisição de diferentes metragens de concreto. Como contrapartida, os doadores recebem banners com seus nomes ou de suas empresas, os quais são divulgados pelas redes sociais e/ou anexados dentro do parque. “As pessoas podem ajudar com qualquer valor. R$ 5 já faz uma grande diferença para nós”, comenta Alcindo.

Além disso, a comunidade pode auxiliar com a doação de materiais para construção, sejam tijolos, tábuas ou telhas, por exemplo. A Anjos Unidos também já recebeu – e ainda recebe – auxílios em forma de serviços. “A empresa que fez o projeto do parque trabalhou voluntariamente. A advogada e a empresa de contabilidade também são parceiros voluntários. Cada um pode auxiliar dentro da sua área, fazendo o que sabe fazer de melhor”, esclarece Ivanice.

Sobre a Anjos Unidos

A associação foi criada em 2015 após uma troca significativa de olhares e sentimentos entre o presidente Alcindo e o jovem Ângelo Pertile, um menino especial, hoje com 17 anos. Um ano antes, Alcindo, Ivanice, Amanda e um grupo de amigos vinham realizando ações pontuais de Natal, com a distribuição de presentes e doces nos bairros do município. “Naquela noite do dia 24 [em 2014], os pais do Ângelo [Arlete e Daniel Pertile] nos ligaram perguntando se poderíamos entregar o presente de Natal para ele. Quando fomos entregar, o Ângelo segurou minha barba de Papai Noel e ficamos trocando olhares, com os rostos bem próximos. Esse olhar intenso modificou nossas vidas”, recorda.

Depois daquele dia, a família passou a pensar em formas de ajudar a família de Ângelo, surgindo a ideia da associação Anjos Unidos. Na sequência, outras cinco famílias se uniram ao grupo, participando de reuniões mensais nas quais as mães levavam as demandas dos filhos com deficiência. “Quando vimos essas seis crianças, pensamos que era um grande número. Porque não vemos essas pessoas nas ruas, nas praças. Hoje temos mais de 100 famílias cadastradas. E o carinho que eles nos dão é algo indescritível”, declara Ivanice.

Além de realizar ações de lazer para integrar as pessoas com deficiência à sociedade, a associação é responsável pela construção e empréstimo de aparelhos especiais de locomoção, bengalas e diversos equipamentos que auxiliam o deficiente físico em suas atividades diárias. Os equipamentos são construídos a partir de uma parceria com a empresa da família, Máquinas França, e com o auxílio de fisioterapeutas, demais especialistas e das mães, que continuam levando as principais demandas dos filhos à associação. “Nós vamos melhorando e adaptando até que fique bom”, afirma Alcindo. “No momento estamos desenvolvendo um simulador de equoterapia, uma espécie de cavalo mecânico”, revela.

Mais informações sobre a associação e sobre o parque adaptado podem ser obtidas pelo site www.anjosunidos.com.br/seja-um-anjo, pelos telefones (54) 3052 0815/ 99928 4452 / 99950 0570 ou pelo e-mail [email protected]

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