Antiga sede da Salton começa a ser demolida

O laudo técnico, apresentado em fevereiro do ano passado, e assinado pelo engenheiro civil Samuel Pizzetti foi apenas uma afirmativa de que a estrutura do prédio que sediava a vinícola Salton, no centro de Bento Gonçalves, “não apresentava condições de estabilidade global estrutural”.

Júlio Posenato, arquiteto responsável pelo encaminhamento das decisões quanto ao andamento das ações nesta fase atual, conta que a cantina do centro foi se aguentando, com escoras e remendos, já que as instalações eram precárias e ofereciam perigos. “O pavilhão situado na rua Barão do Rio Branco foi construído em partes, emendado, reformado, com diversos tipos de material e tem desgastes, devido à ação do tempo”, relata.

As paredes estavam com muitas fissuras, segundo ele, e a estrutura já estaria, há anos, comprometida, conforme Antônio Agostinho Salton, superintendente da vinícola. “Os telhados estavam ameaçando desabar e, por um erro do antigo administrador, Ângelo Salton, iniciou-se a retirada das telhas, sem comunicar a prefeitura”, relembra Posenato. “Em decorrência disso, o Ministério Público foi acionado e determinou um prazo de 60 dias para a reposição do telhado”, afirma. A empresa, então, acatou a determinação e contratou mão-de-obra especializada, a fim de se manterem as características do prédio. “Em audiência, a juíza determinou que o prédio não tinha mais estabilidade, ou seja, do ponto de vista técnico, é o que chamamos de fim da vida útil e, para não haver risco de ferir alguém ou alguma outra fatalidade em virtude do possível desabamento, considerou autorizada a demolição tão logo uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) fosse apresentada”, relata o arquiteto.

Marcelo Damazzini, arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ipurb) e presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc) confirma que, em 2009, a empresa foi autuada e a obra foi embargada. “A partir daí, lhes foi dado um prazo para a recolocação dos telhados”, lembra. No meio desta obra, o pavilhão que está sendo, hoje, desmanchado, apresentou problemas, o que resultou na apresentação de dois laudos: um da prefeitura e outro externo, de um contratado pela empresa, conforme Damazzini. “Os dois laudos constataram que o prédio poderia ruir, por ação do tempo, do tráfego da rua. Além disso, ainda na época em que a empresa funcionava no centro, já havia sido feita uma contensão, mas, mesmo assim, com o tempo, ela foi cedendo”, relata. Foi solicitado, então, que a Vinícola Salton apresentasse um projeto estrutural para o desmanche do pavilhão comprometido, a fim de se fazer uma nova contensão.

As paredes, portanto, necessariamente tinham que ser derrubadas, pois o prédio não apresentava mais condições de estabilidade. “Na última audiência ficou decidida pela demolição imediata, por questões de segurança”, afirma Damazzini. Este trabalho deve levar, aproximadamente, 150 dias, segundo ele.

Andreia Dalla Colletta

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