Após assaltos, empresários do Vale dos Vinhedos se mobilizam por segurança

Em menos de um mês, dois assaltos a grupos de turistas em estabelecimentos no Vale dos Vinhedos levantaram a discussão a respeito da necessidade de buscar alternativas para garantir a sensação de segurança de moradores e visitantes. Cientes das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado – o que inviabiliza investimentos na área –, a solução encontrada pelos empresários é tirar dinheiro do próprio bolso para proteger os seus negócios e garantir a prosperidade do principal destino enoturístico do país.

O proprietário de um dos estabelecimentos, que prefere não se identificar, comenta que após o incidente aumentará o número de profissionais trabalhando na vigilância e também contratará guardas armados. “Vai pesar no bolso, mas a saída é essa”, pontua.

Ele relata também que o fato de contar com vigia na parte interna já chegou a evitar a ação de criminosos, que ficaram acuados de entrar no local, mas acabaram assaltando outro empreendimento nas proximidades logo em seguida. “Já esperava por isso havia tempo. Sabia que ia acontecer conosco, porque já aconteceu em outros estabelecimentos, mas não sabia quando”, lamenta.

Câmeras

A facilidade para acessar rotas de fuga é um dos pontos levantados como possível incentivador dos delitos. A solução encontrada pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) é a instalação de câmeras de videomonitoramento nas entradas, saídas e encruzilhadas. De acordo com o presidente da entidade, Márcio Brandelli, já foi feito um estudo sobre os pontos para colocação de oito equipamentos, dando cobertura a todo o roteiro. “Esperamos conseguir ainda para este ano”, projeta.

Ainda não há estimativa dos custos da iniciativa e nem de como a parceria com o município e os órgãos de segurança seria formatada. O assunto será debatido no próximo encontro ordinário dos associados, que deve ser realizado ainda neste mês. “Segurança já não é mais pauta extraordinária. É uma pauta que sempre vem à tona”, lamenta.

Apesar dos casos ocorridos, na avaliação de Brandelli, a segurança da rota turística tem sido garantida graças aos investimentos dos próprios empresários. “Hoje, no Vale, temos muito mais segurança. O turista entra em uma vinícola e já está sendo monitorado. Temos investido mais de R$ 150 mil em segurança privada. Não podemos esperar apenas do Poder Público”, observa.

Parcerias

Parcerias público-privadas já foram viabilizadas no passado, como é o caso da aquisição de uma viatura por parte da Aprovale em 2011 e doada à Brigada Militar para que fosse usada no policiamento comunitário no Vale dos Vinhedos. Para o subcomandante do 3º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas (3º Bpat), capitão Reni Onírio Zdruikoski, a solução mais eficaz em curto e médio prazo, é que a questão seja abraçada pelo Poder Público municipal – mesmo que não seja seu dever legal – e pela iniciativa privada.

Além de aportes para custear o pagamento de horas-extras, o capitão também defende o investimentos na área de tecnologia. “Há câmeras inteligentes que fazem a leitura das placas e também leitura facial dos indivíduos que podem potencializar o nosso trabalho”, exemplifica. Em longo prazo, a alternativa, na visão dele, é usar a força política e econômica do município para pressionar o Estado para que reforce o efetivo local.

(Foto: Carina Furlanetto)

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