Após quatro anos, réu será julgado por homicídio

Na próxima quinta-feira, dia 6 de agosto, a partir das 9h, ocorre o julgamento de Paulo Mateus Lemes Batista, 39 anos, autor da facada que resultou na morte de Joel Locatelli, então com 27 anos, no dia 6 de agosto de 2011, por volta das 18h30. O crime ocorreu junto à residência da vítima, localizada na rua Lajeadense, bairro Municipal, após uma suposta discussão. Batista chegou a ser preso, mas respondeu ao processo em liberdade. Ele está sendo acusado de homicídio simples, em que a reclusão vai de seis a 20 anos de detenção.

Locatelli, Batista e outro rapaz trabalhavam juntos como pedreiros. A vítima era quem recebia o pagamento semanalmente do proprietário da obra e deveria repassá-lo aos demais colegas, o que não estaria fazendo, conforme afirmou o réu e a outra testemunha que trabalhava com eles. De acordo com Batista, entre o valor devido no atual trabalho que exerciam juntos e nos anteriores, Locatelli teria que pagar a ele cerca de R$ 8 mil. No dia anterior ao crime, Batista cobrou alguma quantia, para poder comprar comida e pagar o mercado, e avisou que, caso o pagamento não acontecesse, não iria mais trabalhar com ele. Locatelli, então, teria pago R$ 500. Porém, isso não foi o suficiente e, ao pedir que a vítima lhe entregasse mais dinheiro, ela teria mandado Batista ir trabalhar.

No dia do assassinato, a vítima e o réu se encontraram em um bar no bairro e, segundo a versão de Batista, Locatelli o teria chamado de “vagabundo”, após ele pedir R$ 10 emprestados para pagar a cerveja consumida no local. Em seguida, a vítima o teria empurrado contra um cepo. Após o episódio, Batista foi para casa, pois ainda teria que arrumar uma ponte, no final da rua, por onde sua esposa passava para ir trabalhar. Entretanto, a versão da discussão entre os dois no bar não foi confirmada por nenhuma outra testemunha.

Batista alegou que, ao retornar do trabalho na ponte, foi atacado por Locatelli, no meio da rua. Ele teria levado um soco e caído, rasgando a sua sacola onde estavam as ferramentas. Ao perceber que a vítima se aproximava, Batista diz que levantou a mão com a faca, a fim de se defender, não vendo que parte do corpo do homem foi atingida.

Ao perceber que ele sangrava, saiu correndo. Ao passar em frente à sua residência, informou à esposa que havia atingido Locatelli, entrou em um carro que passava pelo local e foi para a casa do irmão, no bairro São Roque. Após ficar sabendo que a vítima havia morrido, ele fugiu para Santa Catarina, onde ficou por uma semana, por medo de represálias da família de Locatelli, mas voltou para se apresentar na Delegacia de Polícia. A faca utilizada no crime foi jogada em uma lixeira, ainda no dia do ocorrido.

Outra versão

A companheira de Locatelli, na época do crime, relatou em seu depoimento que Batista teria batido em sua porta para chamar pelo seu marido. A vítima teria atendido a porta e gritado ao levar a facada, além de ter falado o nome do acusado. Conforme a sentença de pronúncia, o levantamento fotográfico sugere que a agressão sofrida por Joel aconteceu na área da sua residência e não na rua, como alega o réu.

A defesa solicitou absolvição sumária, alegando que Batista agiu em legítima defesa, mas, de acordo com a juíza Fernanda Ghiringhelli de Azevedo, “em se tratando de crime contra a vida, havendo mais de uma versão para o fato, a pronúncia é imperativa, porquanto a competência para dirimir conflitos dessa natureza é do Tribunal do Júri”. A defesa recorreu da decisão, porém, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) negou o provimento do recurso, mantendo a decisão da sentença de pronúncia e garantindo o julgamento.

Reportagem: Katiane Cardoso


É proibida a reprodução, total ou parcial, do texto e de todo o conteúdo sem autorização expressa do Grupo SERRANOSSA.

Siga o SERRANOSSA!

Twitter: @SERRANOSSA

Facebook: Grupo SERRANOSSA

O SERRANOSSA não se responsabiliza pelas opiniões expressadas nos comentários publicados no portal.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.