As políticas ambientais e o mercado internacional

A necessidade de preservação ambiental é, hoje, cultural. Aristóteles já dizia que “virtude é hábito”. Ora, se boa parte da população incorporou o vezo do consumo consciente, que afere a origem do produto e o compromisso de tutela do ambiente dos países fabricantes, é evidente que também os investidores passaram a adotar tal práxis como critério de definição de seus aportes. 

Não se trata do famigerado discurso de que é preciso assegurar a sobrevivência das gerações futuras – embora ele deva ser pressuposto –, mas sim de questão de mercado. Nessa linha, as ébrias políticas ambientais adotadas pelo país são, em todos os sentidos, um tiro no pé. Isso não é dito só por ambientalistas, mas por grandes investidores internacionais e por estadistas de diversos países da comunidade europeia. 

A Holanda aprovou moção contrária à celebração do acordo da UE e o Mercosul, já os supermercados do Reino Unido acenam com boicotes aos produtos brasileiros. O Presidente da Associação Brasileira do Agronegócio e importantes consultores internacionais afirmam que a imagem negativa do Brasil, em razão do desgabo ambiental, já afeta as exportações. 

Se o Brasil não deixar de adotar medidas como a imposição de autorização do Exército para que o IBAMA e a ICMBio realizem operações e a defesa da desregulamentação irresponsável das normas de proteção ambiental, a imagem das empresas do país no exterior será frontalmente lesada. O próprio governo federal informa que o desmatamento na Amazônia cresceu 65% em abril. 

Sem ações efetivas, será solapada a emancipação ambiental do país, conquistada a duras penas no mercado internacional. Prejuízo geracional, econômico e ao patrimônio moral do Brasil.
 

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