Associação comemora bons resultados em três meses

Na próxima terça-feira, dia 16, a Associação Pró-Autistas Conquistar (Apac) completa três meses de funcionamento em Bento Gonçalves. Os atendimentos foram retomados após quase um ano sem atividades da Associação Gota D’Água, que fechou as portas em junho de 2014 e funcionava no mesmo local, atrás do Ginásio Municipal de Esportes. De acordo com a diretora de projetos da Apac, Cláudia Ferreira, a evolução dos alunos nestes primeiros meses chama atenção. “Eles estão felizes e a gente sente isso. Há um caso em que o aluno sequer passava do portão e hoje já participa de todas as atividades”, comemora.

A Gota D’Água fechou as portas por necessidade de reordenamento administrativo. A decisão foi tomada em conjunto com os pais e a antiga diretoria. A causa foi assumida por um grupo de empresários, que, em sua maioria, integrava a diretoria da ExpoBento 2014. A reestruturação abrange também o modelo de atividades oferecido aos autistas.

Para a implantação da nova metodologia, Cláudia, que também é pedagoga, buscou referências a partir de experiências positivas vivenciadas com o seu filho de 14 anos em outras instituições – esposa do comandante do 6° BCom, tenente-coronel Alexander Eduardo Vicente Ferreira, ela já morou em diversos municípios. Por videoconferência, a equipe trocou conhecimentos, tanto em questões técnicas como administrativas, com a Cliama, em Brasília, que também irá ministrar uma capacitação para os profissionais da Conquistar na capital federal. Outras referências também vieram do Centro de Desenvolvimento Humaitá, no Rio de Janeiro, que utiliza o modelo ABA (sigla em inglês para Applied Behavior Analysis, Análise Comportamental Aplicada, na tradução), que observa, analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem.

A equipe da Apac é composta por profissionais e estagiários nas áreas de saúde e educação, sendo dois cedidos pelo município e os demais contratados diretamente pela entidade. Os alunos têm atendimento todas as segundas, quartas e sextas, em turmas divididas conforme o grau de comprometimento. “Há alunos em que enxergamos até a possibilidade de profissionalização”, observa a diretora.

O cronograma inclui exercícios físicos e de psicomotricidade, leitura, informática, atividades lúdicas com uma psicopedagoga, lanche e higiene. São utilizadas salas ambiente, onde cada atividade possui um espaço próprio com o material didático necessário. “O autista vive muito em função das rotinas, isso traz conforto e faz com que se sintam seguros. Aqui é como se fosse a segunda casa deles”, comenta.

Segundo a psicopedagoga Cláudia Biasuz, a evolução dos alunos é visível. “Eles são muito inteligentes, sem exceções, cada um no seu ritmo, no seu tempo. É só saber dar o estímulo correto”, avalia. A associação atende atualmente 18 autistas, todos maiores de 18 anos, e há a previsão que outros quatro passem a frequentar as atividades em breve. Nas terças e quintas, a equipe trabalha no planejamento das atividades e no atendimento aos pais. Há o caso ainda de dois alunos que ainda estão em processo de adaptação e são atendidos neste dia para um trabalho de socialização. Por terem ficado muito tempo em casa, muitos autistas podem apresentar resistência ao convívio com os demais.

Infraestrutura

A entidade projeta investimentos na estrutura existente para poder da conta da demanda e, aos poucos, absorver os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Especial que completarem 18 anos. O projeto arquitetônico está previsto para ser elaborado em julho. Uma das possibilidades é que no futuro a escola possa funcionar no mesmo local, em turno inverso ao atendimento dos adultos. As novas salas serão construídas já projetadas para abrigar as atividades que ali serão desenvolvidas. Uma das ideias é reproduzir os diferentes cômodos de uma residência, para que os alunos aprendam os cuidados diários. A entidade trabalha também na formatação do seu regimento, detalhando a metodologia empregada e dando um norte para os atendimentos.

Para ajudar

A Apac sobrevive com parcerias e doações. Na última semana, por exemplo, parte da renda do show do Padre Ezequiel na ExpoBento foi revertida para a entidade. Quem quiser ajudar, pode se associar. O pagamento é feito via boleto, com valores que variam conforme as possibilidades de cada associado. Interessados podem entrar em contato pelos telefones (54) 3453 2581 e (54) 3701 3056.

É proibida a reprodução, total ou parcial, do texto e de todo o conteúdo sem autorização expressa do Grupo SERRANOSSA.

Siga o SERRANOSSA!

Twitter: @SERRANOSSA

Facebook: Grupo SERRANOSSA

O SERRANOSSA não se responsabiliza pelas opiniões expressadas nos comentários publicados no portal.

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.