Bento poderá ter setor especializado na investigação de crimes de maus-tratos contra animais

Ideia foi discutida em coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 18/10, na 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP) e foi bem recebida pelo novo delegado Renato Nobre Bias

Foto: Shutterstock

Uma luta antiga de dezenas de voluntários de Bento Gonçalves tem ganhado cada vez mais espaço nas manchetes dos jornais locais. Diariamente situações de maus-tratos contra animais são relatadas por moradores nas redes sociais e eventualmente divulgadas por portais e jornais da cidade, mas até o momento, não há registro de nenhuma punição dos responsáveis pelos crimes. Atualmente, pelo menos três inquéritos policiais seguem em andamento nas delegacias do município, mas diante das centenas de demandas diárias, a atenção a esse tipo de crime acaba ficando em segundo plano. De acordo com dados da secretaria de Meio Ambiente, 259 denúncias de maus-tratos já foram atendidas até o mês de setembro no município.

A solução encontrada pela Polícia Civil em outros municípios do Rio Grande do Sul foi a criação de um cartório especializado na investigação de crimes de maus-tratos e crueldade contra animais, por meio da iniciativa “Delegacia de Polícia Amiga dos Animais”. Na região, o setor já está funcionando em Caxias do Sul e Carlos Barbosa, de acordo com informações repassadas pelo delegado regional Cleber dos Santos Lima. Aproveitando uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira, 18/10, o SERRANOSSA questionou como o novo delegado da 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP), Renato Nobre Bias, pretendia trabalhar com o assunto. A proposta de criação de um cartório também em Bento Gonçalves foi levantada pelo delegado regional, que deixou nas mãos de Bias o desafio de articular a formação do novo setor. “A polícia tem que estar atenta a todos os anseios da sociedade, e a causa animal é um desses anseios. São bandeiras que a sociedade traz e a polícia não pode ficar alheia”, disse Lima. “Em Bento é uma questão de vossa excelência [dirigindo a palavra ao novo delegado] especializar e criar um selo de delegacia amiga dos animais”, propôs.

O cartório poderia funcionar nas dependências da 1ª DP, sendo designada uma pessoa dentro da delegacia para ficar encarregada em agilizar os processos envolvendo crimes contra animais. “Mas para isso precisamos ter uma parceria com veterinários locais e com a secretaria municipal de Meio Ambiente. Porque precisamos de laudos que comprovem os maus-tratos para então indiciarmos e remetermos ao Judiciário”, explicou o delegado regional.

A ideia foi bem recebida pelo novo delegado da 1ª DP Renato Nobre Bias, que levantou a possibilidade de realização de uma reunião com os órgãos competentes para discutir a criação do cartório em Bento. Também se propôs a conversar com delegados de outros municípios que já vêm se especializando em crimes relativos à causa animal.

“Evidentemente que não temos que dar à causa animal, por mais simpáticos que sejamos à ideia, a mesma importância que um homicídio ou feminicídio, por exemplo. Dentro da força de trabalho que nós temos, a prioridade sempre vai ser a vida humana, mas não podemos virar as costas pra isso”, finalizou o delegado regional.

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