Casos de abandono de animais chocam comunidade

Uma rotina preocupante tem assustado a comunidade nos últimos anos: o crescente número de abandono e maus-tratos aos animais em Bento Gonçalves. Somente nesta semana, dois casos chamaram atenção, especialmente, pela crueldade e, posteriormente, pela lição de amor demostrados pelos amigos de quatro patas resgatados.

O primeiro caso ocorreu na última sexta-feira, dia 3, no Vale dos Vinhedos. Um cão de porte médio e um filhote de gato, ambos fêmeas, foram abandonados em uma lixeira em frente à escola Lóris Reali Pasquali. Os alunos que chegaram para estudar avistaram os animais e tentaram retirá-los do local. Assustada, a cachorra tentava proteger a gatinha e rosnava para as crianças e os professores.

A pequena Ana Julia Gabardo, de 14 anos, ligou para sua mãe, Juraci Gabardo, que mora no Vale, para ir até a instituição. “Quando cheguei à escola, muita gente queria levar o gatinho para casa, por ser filhote e bonitinho. Mas vi que o cão e o gato estavam muito apegados. Não deixei separá-los e, com paciência e muito carinho, consegui leva-los até minha casa”, conta Juraci.

O caso foi publicado nas redes sociais e logo repercutiu. Em busca de adotantes, Ana Julia postou um vídeo no qual mostrava os pets, batizados de Preta e Mima, trocando afagos e demonstrando que deveriam seguir juntos. “Em casa, elas não se desgrudam. A Mima dorme em cima da Preta, ficam se lambendo, brincando juntas. Elas são incríveis. Quando levo a Preta para fazer as necessidades do lado de fora, a gata fica na porta esperando. São muito amigas, dóceis e obedientes”, diz Juraci, que acredita que a gata seja realmente fêmea, embora ainda não tenha certeza.

Outro caso que chocou a comunidade ocorreu na tarde de terça-feira, dia 7, na BR-470. Um cão teria sido jogado de dentro de um carro em movimento para fora da estrada, em um terreno baldio. Um grupo de trabalhadores viu o momento da ação e foi até o local para conferir o que teria sido arremessado. Ao verem uma sacola se mexendo, eles perceberam que se tratava de um animal.

Resgatada, a cadela, batizada de Lilica, está sob os cuidados da voluntária Simone Lunelli. “Ela é um doce. Não latiu, recebeu muito carinho e dormiu a noite toda com meu filho. Não conseguimos entender como alguém consegue fazer isso com um animal”, desabafa Simone, que faz parte da ONG Patas e Focinhos. “Estes casos são mais comuns do que a gente pensa. Diariamente, recebemos denúncias de cachorros que estão apanhando, ou em coleiras muito curtas, sem água ou comida, ou doentes, enfim. Existe uma infinidade de casos, em todos os bairros de Bento, que impressionam pela crueldade”, completa.

De acordo com o presidente da Patas e Focinhos, Alexandre Faccenda, graças ao poder de divulgação da internet, hoje esses casos são mais visíveis. “A divulgação auxilia no incentivo à denúncia e na resolução destes problemas”, afirma.

A cachorrinha Lilica já está em um novo lar – agora sim, repleto de carinho e amor. Preta e Mima ainda esperam por adoção. O desejo de Juraci e Ana Julia é encontrar uma família que aceite adotar  as duas amigas.

 

Reportagem: Raquel Konrad

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