Centro com nova cara

Não são apenas as obras de mobilidade urbana – a exemplo do alargamento do passeio público nas ruas Júlio de Castilhos e Marechal Floriano, em andamento – que estão contribuindo para dar uma nova cara ao Centro de Bento Gonçalves. Aos poucos, detalhes de edificações antigas, antes encobertos por placas e letreiros publicitários, começam a ser revelados e chamam a atenção de motoristas e pedestres.

Os primeiros impactos são sentidos em ruas como Marechal Deodoro e Saldanha Marinho, com projetos já orientados ou aprovados junto ao Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc). “Até o momento, visualiza-se uma diferença principalmente junto a edificações históricas, na área conhecida como ‘Cidade Baixa’, que deverá melhorar ainda mais este ano”, afirma a arquiteta presidente do Compahc, Cristiane Bertoco.

Com a retirada dos painéis publicitários, surgiram, e ainda deverão surgir, segundo Cristiane, características arquitetônicas e ornamentos que estavam escondidos ou desvalorizados, como colunas, frisos, cariátides, florões e até mesmo aberturas e sacadas. São prédios tombados, inventariados ou de interesse histórico ou para a paisagem. Em função da falta de manutenção e conservação no tempo em que os espaços ficaram escondidos pelos painéis, os empreendedores precisam realizar obras de conservação, como pintura, recomposição de reboco e de elementos ornamentais, entre outros. “Essas recuperações, no geral, não são obras de restauro, mas de conservação”, explica Cristiane.

O Compahc tem acompanhado as intervenções através da análise das propostas de comunicação visual e de conservação em edificações históricas nas reuniões ordinárias. Desde agosto, têm sido analisados, em média, cinco projetos de publicidade e toldos por mês. Além disso, as melhorias são acompanhadas de perto e relatadas nos encontros do conselho. “Recebemos, por telefone, denúncias ou questionamentos tanto dos conselheiros quanto da população em geral. Os conselheiros também têm prestado atenção nas mudanças na paisagem e, frequentemente, questionam e debatem isso nas reuniões”, completa a arquiteta.

Orientação

Apesar de poucos projetos de restauro terem sido protocolados, o órgão tem orientado as obras de conservação e manutenção. Em função da alta demanda de processos, o Compahc aprovou, em novembro, uma resolução para análise de comunicação visual em edificações inventariadas e de interesse histórico, com o objetivo de melhorar a eficiência dos pareceres, bem como incentivar a utilização de artefatos publicitários de acordo com a nova Lei das Placas,sancionada em 2014.

Os proprietários buscam, também, a aprovação de dispositivos de proteção contra o sol e a chuva, como marquises e toldos, bem como consulta quanto às cores mais adequadas para pintura das fachadas, seus ornamentos e esquadrias. Outra indicação é com relação ao tipo de reboco e de pintura, que, nas edificações mais antigas, geralmente são à base de cal, com pouco ou nenhum cimento, às vezes com assentamento dos tijolos realizado com barro. Por isso, o cimento e as tintas plásticas ou acrílicas acabam impermeabilizando a parede, impedindo-a de respirar e causando patologias construtivas que, depois, são difíceis de resolver. “As principais recomendações são quanto à contratação de profissional habilitado, preferencialmente arquiteto, que é quem tem formação e habilitação para intervenção em bens históricos”, finaliza Cristiane.

 

Na rua Marechal Deodoro, as mudanças começaram ainda em 2014, com a retirada do letreiro de uma clínica dentária

Em outro ponto da Marechal Deodoro, a retirada da publicidade revelou detalhes de dois prédios históricos, a Casa Giovanini e a Casa Alegretti, que receberam obras de recuperação no final do ano passado

Retirada de placas e letreiros revela detalhes arquitetônicos e ornamentos que estavam escondidos ou desvalorizados

A partir deste ano, as mudanças no visual começam a ser sentidas em outros pontos, como é o caso da rua Saldanha Marinho

Fotos: Reprodução/Google Street View e Carina Furlanetto

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