Cerca de 60% das hamburguerias de Caxias adquiriam carne de cavalo de grupo criminoso

Operação do Ministério Público do RS realizada na manhã desta quinta-feira, 18/11, ainda indicou que alguns dos animais abatidos pelo grupo seriam subtraídos de carroceiros, sendo que os próprios carroceiros estariam furtando os cavalos uns dos outros para fornecer ao abate para o grupo criminoso

Foto: Divulgação MPRS

Em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, 18/11, o promotor de Justiça Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Segurança Alimentar, detalhou as investigações sobre o grupo criminoso que vinha distribuindo carne de cavalo em Caxias do Sul e região. Conforme o promotor, há informações preliminares de que em torno de 60% das hamburguerias do município adquiriam produtos desse grupo. “Isso será investigado, mas, desde já, reforça a importância de que os estabelecimentos jamais adquiram produtos sem inspeção”, adverte.

A operação Hipo foi realizada durante a manhã pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Gaeco. No total, seis pessoas foram presas. Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão referentes a oito alvos.

Entre as novidades apresentadas na coletiva, esteve a identificação do DNA de cavalo nos estabelecimentos Mírus Hambúrguer Ltda. ME e Natural Burguer. Segundo o MP, três pessoas eram responsáveis pelo abate clandestino e beneficiamento da carne sem procedência: uma mulher, familiar dos primeiros, atuava como “telefonista”, tendo conhecimento das práticas criminosas e auxiliando a família no esquema. Outro homem com estreita ligação com a família recolhia os restos de comida dos estabelecimentos para alimentação de suínos e é considerada pelo Gaeco peça importante no abate e comércio clandestino de carnes. O sexto homem é o responsável principal pela comercialização da carne na forma de hambúrgueres e bifes para restaurantes, ou seja, o elo do grupo criminoso com os clientes. Outros dois são os responsáveis pela confecção dos hambúrgueres e, por fim, o último tinha como função encontrar e comprar os cavalos que posteriormente seriam abatidos.

Foto: Divulgação MPRS

As escutas apontam também a utilização de carne estragada, lavada para tirar o odor e misturada a outras na confecção dos hambúrgueres. Há indícios, ainda, de que alguns dos animais abatidos pelo grupo seriam subtraídos de carroceiros, sendo que os próprios carroceiros estariam furtando os cavalos uns dos outros para fornecer ao abate para o grupo criminoso.

Ao decidir pela a prisão preventiva dos envolvidos, a juíza da 4ª Câmara Criminal de Caxias do Sul, Maria Cristina Rech, destacou que “embora não estejam revestidas de violência ou grave ameaça contra pessoa, são graves delitos cometidos contra a saúde pública, com a comercialização intensa de carnes abatidas, produzidas, armazenadas e vendidas irregularmente do início ao fim, sem qualquer tipo de fiscalização e acompanhamento de profissional habilitado a garantir a segurança da produção, sendo que o consumidor final não tem ciência do risco a que está exposto ao adquirirem as carnes no mercado de consumo”.

A juíza decretou, também, a quebra de sigilo de dados de aparelhos apreendidos e da interceptação telefônica, além da quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos.

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