Coluna de Esportes, por João Paulo Mileski

O exemplo do Farrapos

A ambição do Farrapos é alcançar mil sócios nos próximos quatro anos, o que faria do torcedor a principal fonte de recursos livres do clube, superando os patrocínios privados. A tendência, no entanto, é que essa marcada seja alcançada bem antes. Pouco mais de três meses após o anúncio do programa de Sócio-Torcedor, o Farrapos já contabiliza cerca de 200 associados. A boa aceitação não pode ser considerada surpreendente se levado em conta que o clube não está somente pedindo apoio à comunidade, ele também oferece recompensas. Atualmente, são 70 estabelecimentos parceiros que garantem, a partir de uma mensalidade de R$ 20, descontos de 3% a 30%. “Com uma rede de convênios com posto de combustível, restaurante e outros, o Sócio-Torcedor vai economizar mais do que R$ 20 por mês, então não tem porque qualquer pessoa não ter essa carteirinha”, ressalta o presidente do clube, Luis Francisco Flores, o Tito.

O Bento Gonçalves Futsal (BGF) também oferece programa parecido e recentemente o Bento Vôlei/Isabela anunciou o seu plano de sócios, em formato diferente, mas também com vários atrativos. Não há mais, ou nunca houve, sustentação ao discurso de que a comunidade tem o dever de ajudar esta ou aquela entidade, sobretudo no esporte profissional, ou que o clube é do “tamanho que a cidade quer”. Todos nós queremos que os nossos representantes sejam grandes, mas também queremos bons jogos para comprar o ingresso ou contrapartidas para remunerar o clube mensalmente.  

Reconhecimento aos benfeitores

Vou dar a minha modesta sugestão ao Poder Público municipal, que terá autonomia para escolher alguns dos condutores da tocha olímpica em 2016. Há profissionais extremamente competentes que foram ou ainda são fundamentais para o desenvolvimento do esporte de alto rendimento em Bento Gonçalves, mas também há esportistas que estão deixando um legado que não é exatamente no alto rendimento, mas é tão ou mais importante, já que empenham-se em estimular o esporte como ferramenta para a educação. São aqueles abnegados idealizadores e voluntários de projetos sociais espalhados pelo município. Esportistas como André Oliveira, do judô, Adriano Smalti e Vando Vitorassi, do jiu-jítsu, entre outros, abrem mão de horas que poderiam ser dedicadas a afazeres pessoais e estão mudando a perspectiva de muitos jovens de comunidades carentes (leia matéria publicada na contracapa da edição desta sexta-feira, dia 4, especificamente sobre o projeto Jiu-Jítsu para Todos).

Todos sabem que o esporte é um importante instrumento para tirar os jovens das ruas no contraturno escolar, mas é preciso que existam pessoas dispostas a mostrar-lhes o caminho. Todos nós deveríamos deixar um legado à comunidade em que vivemos; quando isso não é possível, que possamos ao menos reconhecer e valorizar aqueles que o fazem. A passagem da tocha olímpica será uma chance singular de dizer obrigado a pelo menos uma parte destes benfeitores bento-gonçalvenses.

 

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