Com auxílio de apenados, comunidades do interior terão minibiblioteca em Bento

Projeto intitulado “Merendim Literário” prevê a instalação de dez estantes de livros em diferentes comunidades, as quais serão construídas por apenados da Penitenciária de Bento

Foto: Divulgação

As secretarias municipais de Agricultura e Cultura, por meio da Biblioteca Pública Castro Alves, colocarão em prática, neste ano, um projeto em parceria com a Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves (PEBG). Intitulado “Merendim Literário”, a ação prevê a instalação de dez estantes de livros em diferentes comunidades rurais, a fim de ampliar o acesso à leitura no município. Os livros serão fornecidos pela Biblioteca Pública, enquanto as estantes serão construídas por apenados, com apoio da Indústria Moveleira de Bento. “Percebemos a dificuldade da comunidade que vive no interior de frequentar a Biblioteca Pública, em virtude do deslocamento. E nossa intenção sempre é ampliar o acesso ao livro”, comenta a bibliotecária e diretora da Biblioteca, Paula Porto Gautério, sobre a origem do projeto.

A princípio, conforme informações da diretoria do presídio, o trabalho de construção das estantes será feito por quatro apenados, que serão selecionados por aptidões físicas e bom comportamento. Já os materiais serão doados por empresas locais. “A ação entra em conformidade com um dos pilares da ressocialização, pois os apenados podem auxiliar em tarefas que visem ao desenvolvimento social e educacional da comunidade e deles próprios. É muito positivo este olhar das instituições culturais para os diversos públicos que compõem a comunidade”, reflete o diretor da penitenciária, Volnei Zago.

Assim como os demais trabalhos desenvolvidos na casa prisional, os apenados envolvidos terão redução de pena com a execução do serviço. Para cada três dias trabalhados, é cedido um dia de remissão.

O próximo passo, agora, é a realização de uma reunião com a secretaria de Agricultura, que será responsável – juntamente com os subprefeitos dos distritos – por definir os locais de instalação das estantes. A reunião está marcada para o próximo dia 03/03. Uma das estruturas deverá permanecer na penitenciária para retirada de livros por parte dos apenados e dos agentes penitenciários. “Estamos ainda definindo a indústria que fornecerá a matéria-prima para a construção das estantes. Também estamos buscando outras entidades parceiras para a aquisição do acervo [de livros]”, complementa Paula.

Da esquerda para a direita: orientadora educacional e colaboradora da Biblioteca Pública Castro Alves, Cláudia Refatti Benato, diretor da Penitenciária de Bento, Volnei Zago, e bibliotecária e diretora da Biblioteca, Paula Porto Gautério. Foto: Divulgação

Outros projetos da PEBG

Além do Merendim Literário, a penitenciária de Bento Gonçalves está com outros projetos em curso, que envolvem a oferta de trabalho e qualificação aos apenados. Um deles diz respeito ao Protocolo de Ação Conjunta (PAC) firmado em 2019 entre a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), a secretaria da Administação Penitenciária (Seapen) e a empresa Bonapel Embalagens Ltda. A partir dela, presos auxiliam na montagem de embalagens de papelão, para diversas finalidades. Entretanto, diante da pandemia, a empresa parceira decidiu parar temporariamente o serviço. Nos próximos dias deverá ser realizada uma reunião para tratar sobre a continuidade do trabalho.

A direção da PEBG também aguarda a chegada de máquinas de costura para dar início a um curso de qualificação aos apenados. A ação terá duração de dois anos e, após esse período, as máquinas deverão continuar sendo utilizadas para o trabalho de confecção de uniformes para uma empresa local.

Juntamente com a Igreja Universal, a casa prisional deverá oferecer outros dois cursos a partir deste ano, um de eletricista e, o outro, de cozinheira – voltado para as mulheres apenadas. “O público-alvo são as presas que já trabalham na cozinha, ou que têm interesse de trabalhar futuramente”, adianta o diretor Volnei Zago.

Ainda neste ano deverá iniciar o curso de horticultura, em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A formação contará com 70% de aulas teóricas e 30% práticas, que serão preenchidas com a construção de uma estufa no local. Sobre o projeto de construção de um parreiral para a produção de suco de uva – projeto anunciado ainda na inauguração da penitenciária em 2019 – Zago informa que a direção ainda tenta articular a ação com o IFRS. “Mas por enquanto são apenas sondagens, nada concreto”, revela.

Por fim, está prevista para 2022 uma ação especial de Dia da Mulher às 24 apenadas atualmente recolhidas na PEBG. A atividade, realizada a partir da Coordenadoria da Mulher e do Centro Revivi, irá proporcionar um dia especial com atendimentos, escuta, orientações e descontração para as presas.

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