Corsan nega infiltração na Barragem de São Miguel

Conforme noticiado com exclusividade pelo SerraNossa na edição da última sexta-feira, dia 18, uma informação vem sendo cada vez mais difundida e tem gerado dúvidas e apreensão na comunidade bento-gonçalvenses. Os boatos dão conta de que a barragem de São Miguel estaria sofrendo um problema grave de infiltração, o que poderia ocasionar prejuízo à estrutura e consequente rompimento. O resultado seria o despejo do equivalente a 2,8 milhões de metros cúbicos de água, o que provocaria uma elevação considerável no nível do rio Buratti e do arroio Barracão e graves consequências para quem vive no entorno deles. A informação é desmentida pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan): “não existe o menor indício de que alguma ruptura eminente pode ocorrer na barragem”, garante o superintendente regional Alexsander Cerentini Pacico.

Segundo a Corsan, a água que verte na ombreira esquerda da barragem demonstra que a vazão na lateral é fruto de uma fissura na rocha no entorno da área inundada, descoberta após a construção da Barragem e solucionada ainda na época, com a injeção de uma barreira de concreto que cumpriu sua função. “Pequenos aumentos nessas vazões ocorrem quando há precipitação, indicando que a água é proveniente da percolação da água da chuva no terreno natural”, tranquiliza Pacico.

A Corsan garante que a obra foi executada e é fiscalizada por técnicos especializados na construção de barragens de porte superior ao da São Miguel, com permanência constante de profissionais da área de geologia e geotecnia. “Todos os relatórios durante a obra e durante o monitoramento estão registrados e acompanhados de Anotação de Responsabilidade Técnica”, afirma Pacico, referindo-se ao ART, documento obrigatório em todas as obras de engenharia, recolhido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).

O que aconteceria

Segundo um técnico independente, que preferiu não ter o nome divulgado, caso a barragem de São Miguel rompesse, elevaria em até 40 metros o nível do Rio Buratti e do arroio Barracão, podendo ter consequências até o Rio das Antes, dependendo do local (quanto mais profundo e mais estreito o Vale, maior o nível de inundação) e da intensidade da ruptura. Os prejuízos seriam incontáveis, tanto em termos ambientais, como materiais e humanos. A ponte de acesso a Pinto Bandeira também desapareceria, deixando a comunidade ilhada.

Presença de algas

Segundo a Corsan, a proliferação de algas cianofíceas em barramentos artificiais para armazenamento de água para abastecimento, como é o caso da Barragem São Miguel, é normal. “Devido à transformação de um ambiente que antes era lótico (onde a água encontra-se em constante movimento) em lêntico, a presença destes tipos de organismos encontra condições ideais de proliferação devido a vários fatores. A hidrodinâmica nestes ambientes são bastante variáveis, dependendo da região, profundidade e ação dos ventos, entre outros. Portanto, a concentração das algas na ombreira esquerda da Barragem não significa que exista vazamento naquele ponto”, explica o superintendente. Segundo ele, a qualidade da água também não sofre alteração em função da presença dos organismos. “A qualidade da água bruta, quando ocorre a eutrofização, exige o emprego de carvão ativado antes do tratamento da água e lavagens mais freqüentes dos filtros na Estação de Tratamento (ETA), mas a qualidade da água distribuída à população continua atendendo a Portaria nº 518 do Ministério da Saúde”, garante. Eutrofização é a produção excessiva de algas pelo acúmulo de fósforo e nitrogênio.

Capacidade maior

Segundo dados da Corsan, a estrutura da Barragem São Miguel foi projetada para um volume de armazenamento futuro correspondente a 5,6 milhões de metros cúbicos de água, com área de alague de 56 hectares, porém, a demanda atual da cidade é atendida com volume de armazenamento de 2,8 milhões de metros cúbicos e área alagada de 36 hectares. Ou seja, a estrutura está dimensionada para suportar volumes de chuva acima da média e seu vertedor também.

Números da Barragem São Miguel

Inauguração: 2005

Altura: 23,5 metros

Comprimento: 176 metros

Área alagada atual: 36 hectares

Volume de água atual: 2,8 milhões de m³

Área alagada possível: 56 hectares

Volume de água possível: 5,6 milhões de m³

 

Greice Scotton

 

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