Cosmopolita

Escrevo este texto diretamente de São Paulo. Ahhhh, São Paulo!

Cidade dos sonhos, cidade de vanguarda, cidade onde se encontra tudo, tudo aquilo que se procura. Tudo mesmo! Desde as maiores grifes de roupas, de estilistas famosos, ao mais simples pastel de feira, passando por uma loja da Ferrari.

A cidade que nunca dorme, a cidade da garoa, a cidade que sediou a primeira escola de Direito do Brasil. A primeira e mais antiga, já que a Faculdade do Largo de São Francisco permanece ativa até hoje, formando profissionais com excelência, se autointitula a mais nova velha faculdade de Direito, talvez até pela vanguarda. Muitas das grandes teses defendidas hoje no Direito partem de lá.

Essa mesma São Paulo, a maior cidade da América Latina, que ostenta também o título de ser a segunda maior frota de helicópteros particulares do mundo, perdendo somente para Nova York, também guarda uma característica interessante, a de ser um polo onde pessoas de todo o país buscam novas alternativas, novas vidas, novas oportunidades. Conheço pessoas, grandes amigos até que, destacando-se nas suas profissões em suas regiões, tiveram seus “passes comprados” por grandes empresas, nacionais ou multinacionais, sediadas em São Paulo, pela sua qualidade. Eu particularmente não acho isso ruim. Ao contrário, são talentos locais que, pelo conhecimento e capacidade, são galgados ao centro do país e, por consequência, ao centro do mundo.

Essa mesma São Paulo, contudo, por essa mesma característica, carrega, talvez, na minha percepção interiorana, a frieza do mundo corporativo em todas as relações. Da mesma forma em que, no café da manhã do hotel ou em um Happy Hour, conhecemos pessoas interessantes, importantes, de boa conversa, com ou sem projeção nas suas áreas de atuação, desconhecemos as mesmas em minutos, pois nunca mais os(as) veremos novamente. A chance de reencontrar a mesma pessoa, em São Paulo, é mínima. Considerando seus 20 milhões de habitantes, essa probabilidade é praticamente nula.

Não existe, lá, o calor das relações de interior. Não existe, lá, despropositadamente, a chance de um reencontro casual.
Eu já morei em diversas cidades do mundo, desde uma com menos de 3 mil habitantes até cidades com aproximadamente 2 milhões de habitantes. Viajei por diversos lugares e recebi todos os tipos de tratamento, desde os mais acalorados até os mais frios. Hoje, transitando entre Bento Gonçalves e Farroupilha, posso afirmar que NÃO EXISTE NADA COMO A NOSSA SERRA GAÚCHA!

Mesmo sendo um cosmopolita, gostando de conhecer pessoas, lugares, paisagens, cidades, não me afastaria daqui novamente. Não por muito tempo! Até porque, hoje, nossa Capital, Porto Alegre, por mais provinciana que saibamos que ela seja, ainda é a cidade que mais se aproxima do desenvolvimento que São Paulo ostenta desde sempre. E nós, bento-gonçalvenses ou farroupilhenses, somos, sim, parte disso.

Até a próxima!

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