Cuidado! A era digital pode prejudicar a sua postura!


Por Cristiane Luci Weber, fisioterapeuta e docente da Universidade de Caxias do Sul, especialista em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica, com mestrado em Gerontologia Biomédica.

 

As tecnologias digitais estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Somos, na grande maioria, dependentes de smartphones, tablets, notebooks, computadores.  Ainda mais hoje, frente ao distanciamento físico que se impõe por conta da pandemia da COVID-19. Para cumprir nossas exigências profissionais, estudar, desfrutar de períodos de lazer, falar com pessoas e fazer compras, estamos frequentemente conectados.

O problema é que ficamos muito tempo na frente das telas. E esse hábito afeta nossa postura de maneira não saudável. Surgem, então, as dores de cabeça, na nuca, nas costas, nos ombros e braços. Em casos mais sérios, ocorre compressão de nervos e acabamos desenvolvendo sensações incomuns, como formigamentos e perda de força nos braços e mãos.

Imagine o esforço que o corpo precisa fazer para nos sustentar por muito tempo em uma postura errada. O próprio uso do celular, em posição inclinada, pode aumentar muito o peso da cabeça. Os músculos dos ombros e braços sofrem por segurarem o aparelho por muito tempo na mesma posição. Mãos e dedos ficam sobrecarregados pelos movimentos repetitivos. E os órgãos internos? Como podem funcionar corretamente se o corpo fica curvado para frente o tempo todo? Sem contar o prejuízo às costas, que, além de serem prejudicadas com as posturas inadequadas, também sofrem com nosso sedentarismo, podendo acelerar os desgastes; mais ainda agora, com a recomendação de sairmos somente em situações essenciais.

Vale lembrar que as posturas inadequadas não geram problemas imediatamente. Eles se desenvolvem com o passar do tempo. E interferem diretamente na nossa autoestima, disposição, respiração e no rendimento.

Então, como poderemos nos proteger, se esses equipamentos já se tornaram uma necessidade e evitá-los não é uma opção? Atitudes simples podem ajudar você:


 

Evite usar o celular para trabalhos longos; prefira o computador ou notebook.

Verifique se os equipamentos estão na altura correta: quanto mais inclinada a cabeça, maior o peso sobre o pescoço e os riscos de dores e problemas no local.

Mantenha a cabeça reta e evite flexionar muito os braços: leve o celular até a altura dos olhos e não o contrário.

Mantenha o celular apoiado sobre uma superfície estável. Apoie os braços também. Se não for possível apoiá-lo, levante-o e aproxime-o um pouco abaixo do seu rosto. Segure-o com as duas mãos e digite com os dois polegares.

Faça pausas ao longo do período que utiliza o celular, deixe sua musculatura relaxar.

Evite o uso desses equipamentos ao deitar-se na cama. Além de interferir na qualidade de seu sono, não há como garantir uma postura adequada nessa situação.

Alongue a coluna cervical para os lados e para frente mantendo cada posição por 20 segundos.
Faça movimentos de “sim” e “não” com a cabeça.

Lembre-se: a má postura também é influenciada pela obesidade, sedentarismo, fraqueza dos músculos e diminuição da flexibilidade! Controlar o peso, fortalecer os músculos do pescoço e dos braços, alongar-se e praticar exercícios físicos são atitudes fundamentais para nossa saúde.

Por fim, esse período de reclusão que estamos vivendo pode ser uma boa oportunidade para observar a sua rotina e incluir cuidados sobre você, seu corpo e sua saúde. E, no caso de sintomas persistentes, você pode recorrer ao fisioterapeuta para receber orientações e o tratamento adequado para cada situação.

 

REFERÊNCIAS:

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Disponível em: https://sbot.org.br/.

Xie Y, Szeto G, Dai J. Prevalence and risk factors associated withmusculoskeletal complaints among users of mobile handhelddevices: a systematic review. Appl Er

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