Curiosidade, cobiça, pecado e alguma coisinha a mais

Segundo a igreja católica, os sete pecados capitais, que já foram retratados em diversas obras da literatura, da ficção, séries e até em novelas, são os principais erros ou vícios que podem ser praticados ou cometidos pelos cristãos, que os tiram do caminho da virtude. São eles: a soberba, a avareza, inveja, ira, luxúria, gula e a preguiça.

Quase tão antigos quanto o Cristianismo, os sete pecados capitas foram retratados no século VI, quando retirados, segundo conta a história, da Epístola de São Paulo. Por certo, tais pecados retratavam a sociedade e os costumes da época. Nenhum deles, contudo, pode ser tido por elemento estranho ou desconhecido da sociedade atual e, por essa razão, não vou identificá-los, aqui, um a um, explicando seu significado. 

Preciso dizer que a ideia desse texto surgiu em mais uma conversa com a Dra. Danielle Comin, quando falávamos sobre o mal do século atual: as redes sociais. Falávamos, nesse dia, em mais uma das nossas longas e intermináveis conversas telefônicas, sobre quais poderiam ser os pecados capitais hoje.

Confesso que, em um primeiro momento, imaginei que teria dificuldade em identificá-los. Contudo, percebi que, mesmo passados milhares de anos desde sua pregação pela doutrina cristã, os pecados capitais permanecem os mesmos. Surgiram, talvez, mais alguns, que vão por mim, acrescentados, identificados e exemplificados. E tal acréscimo se deu justamente por conta da conversa com a Danizinha. Concluímos que, em tempos de redes sociais, quando gula, luxúria, inveja e preguiça permeiam a maioria das postagens, cobiça e curiosidade mostram-se também presentes. E cada vez com mais ênfase.

Em tempos nos quais não mais se faz nada sem que sejam postadas fotos, imagens, eventos, ou qualquer outra situação, nem que seja um “check in”, a cobiça passou, sim, a ser um pecado capital. Afinal, para muitos, ver aquilo é sinônimo de querer, imoderada e ardentemente, fazer o mesmo. 

Da mesma forma, quando se posta uma foto, um texto, uma ideia ou até uma imagem aleatória, surge uma legião de curiosos querendo saber o que aconteceu; o que a pessoa está pensando; se está apaixonada; descornada; carente; feliz; etc. Pior ainda quando essa pessoa refere o nome de outra. Se for do gênero oposto então, aí sim, todos querem saber: “Mas qual é a novidade?” ou, para os mais acintosos: “Vocês estão juntos?”. Trata-se, sim, sem sombra de dúvida, da mais pura tradução dos pecados capitais modernos.

Haveria, ainda, outros, que fazem questão de passar uma imagem que não existe, de uma vida melhor, mais feliz, mais agitada. Para esses, não consegui identificar uma palavra que os traduzisse. Prefiro, ainda, a vida real, seja ela qual for…  

Até a próxima!
 

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