Curvas da morte: a rota das tragédias da RSC-470

Em uma faixa de 1,3 mil metros da RSC-470, quatro curvas acentuadas concentraram pelo menos 45 acidentes desde o início do ano em Bento Gonçalves. O trecho, que vai do acesso ao bairro Santa Rita até o trevo que liga ao Vale dos Vinhedos pela ERS-444, é considerado um dos mais perigosos dos 245 quilômetros da rodovia, sendo conhecido, há décadas, como ‘curvas da morte’. A média em 2011 é de um acidente a cada 28 metros no local.

A topografia, no entanto, não é a única causa das colisões e capotamentos que deixaram 33 pessoas feridas e resultaram em duas mortes. Para o Grupo Rodoviário Bento Gonçalves, a imprudência continua sendo a maior motivadora dos acidentes. “A alta velocidade dos veículos resultante do excesso de confiança dos condutores é, sem dúvida, a maior causa”, declara o comandante do GRv, sargento Zidemar Petry, destacando que a maioria das vítimas é formada por motoristas que conhecem bem o trecho e costumam transitar no local até várias vezes por semana. “A pessoa acha que pode vencer uma curva acentuada a 90, 100 quilômetros por hora em um dia de pouco movimento e tempo bom e, por nada ter acontecido, repetir esta velocidade em um dia de chuva e horário de pico. O resultado não poderia ser outro que não a tragédia”, lamenta.

Se a alta velocidade é responsável, especialmente, pelos acidentes envolvendo veículos de grande porte, a presença de água na pista é fator determinante para o tombamento e capotamento de veículos leves. “Há um ponto crítico do que chamamos de ‘aquaplanagem’ no quilômetro 218. Quando chove, a água fica empoçada, o que faz com que muitos motoristas, nem sempre em alta velocidade, acabem perdendo o controle e se acidentando”, detalha Petry.

O ponto descrito pelo comandante fica em uma curva logo após a entrada do bairro Santa Rita no sentido Bento – Garibaldi, onde inúmeros acidentes nas mesmas circunstâncias já foram registrados – dois somente entre janeiro e maio. Outro motivo que leva muitos condutores a perderem o controle e colidirem é a falta de manutenção dos veículos, principalmente em relação a pneus que já não apresentam aderência suficiente, os famosos ´carecas´.

Pardal pode ser reinstalado

Em 2011, uma das estatísticas que chama a atenção é o número elevado de caminhões que se envolveram em tombamentos. Para o comandante do GRv, o motivo é a retirada do controlador de velocidade tipo pardal que ficava próximo ao trevo de acesso ao Vale dos Vinhedos. “Antes, os caminhoneiros eram obrigados a reduzir e entravam nas curvas da morte com velocidade reduzida. Agora muitos vêm embalados e acabam tombando em função disso. Em alguns casos, a carga acaba exercendo força contrária, fazendo com que o motorista perca o controle. Tudo por causa do pé no acelerador”, explica Petry.

O pardal foi avariado após um acidente e retirado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). Antes disto, apesar de estar desativado, o controlador desestimulava a alta velocidade. No site do órgão, consta que há dois pardais na RSC-470, ambos no trecho que pertence a Veranópolis. Segundo a assessoria de imprensa do departamento, está em andamento uma licitação para aquisição de novos pardais.

Raio-x das curvas da morte:*

Acidentes de trânsito

Com danos materiais – 22

Com lesões corporais – 22

Com morte de pessoa – 1

Total de acidentes – 45

Veículos envolvidos

Em acidentes com danos materiais – 37

Em acidentes com lesões corporais – 37

Em acidentes com morte de pessoa – 5

Total de veículos envolvidos em acidentes – 79

Consequências dos acidentes:

Pessoas mortas – 2

Pessoas feridas – 33

* Trecho entre os quilômetros 217 e 219 da RSC-470. Dados computados entre os dias 1º de janeiro e 15 de maio de 2011

Fonte: 3º BRBM

 

Greice Scotton

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