Desapego do espaço físico tem se tornado tendência entre empresas de Bento

Há 15 anos, quando a loja Identidade Homem Moda Masculina abriu suas portas, a proprietária Samantha Paz jamais imaginou que, um dia, o espaço físico não seria mais necessário. Mas as restrições impostas pela pandemia da COVID-19 mudaram o cenário e fizeram a equipe da loja repensar suas prioridades. “Desde 2017 já vínhamos repensando o modelo de negócio, e nosso projeto era de segmentar ainda mais”, conta Samantha. “Mas a pandemia nos forçou a tomar uma decisão da qual o resultado era incerto. Encerramos o atendimento na loja física em agosto de 2020”, relata. 

Samantha está entre uma das dezenas de empresários que viram na pandemia o momento certo para desapegar do espaço físico. O objetivo principal é a redução de despesas e a continuidade da prestação de um serviço de qualidade aos clientes. 


Foto: Eduardo Fin
 

Desde o fechamento das portas físicas há um ano, a Identidade Homem Moda Masculina tem readaptado sua rotina de atendimentos e sua gama de produtos. O foco, hoje, é na encomenda. “O estoque está mais limitado a um showroom para ajudar na escolha. O atendimento é com hora marcada, o que garante nossa atenção total à pessoa que nos procura”, conta Samantha. O local de atendimento varia de acordo com a disposição do cliente, podendo ser feito em sua casa, local de trabalho ou em um espaço compartilhado usualmente utilizado pela empresária quando necessário. 

“Em março de 2020 era impossível fazer qualquer previsão de como e quando o comércio local iria reagir. Nossa escolha funcionou muito bem para nós, pois abrimos mão de muitos compromissos fixos. E a convivência familiar ganhou qualidade sem medida com a melhor administração do tempo”, conta. 

Pandemia e a certeza da melhor decisão

Além dos empreendedores que encontraram na pandemia a oportunidade certa para desapegar do espaço físico, há aqueles que apenas reforçaram a certeza de ter feito a melhor escolha. Os parceiros Vânia de Moura, Caroline Todeschini e Gabriel Pertile, da Moura Agência de Relações Públicas, decidiram migrar para o home office ainda em 2018. “O longo deslocamento, com trânsito intenso nos horários de pico; o fato dos clientes não irem até nós, pois preferem ser visitados; e as conversas com os fornecedores já sendo feitas diretamente por e-mail e WhatsApp, nos auxiliaram a tomar a decisão de migrar cada um para sua casa”, conta a empresária Vânia de Moura. 

Para tanto, cada um dos parceiros trouxe para si a responsabilidade de fazer o novo molde funcionar com excelência. “A Carol foi em busca de entender o que era necessário para nos adaptarmos, que tipo de reuniões faríamos, como ficariam as pastas dos clientes e todos os detalhes da operação, incluindo a rotina, pois o risco de tu querer ficar de pijama todo dia poderia ser muito grande. O Gabriel ficou responsável pela área tecnológica, para que cada um tivesse uma estação de trabalho e internet de qualidade. E eu fiquei com a comunicação aos clientes e fornecedores”, relata Vânia. 


Foto: arquivo pessoal
 

Durante a pandemia, adaptados com a nova forma de trabalhar, a equipe conta que já não restavam dúvidas sobre a escolha feita. “Além da otimização das atividades, com foco no que precisa ser feito, o trabalho rende muito mais. Obtemos melhores resultados com menos tempo gasto”, revela. “Os custos também são menores, a convivência com a família é muito maior e o fato de não dependermos de um horário fixo para ‘quase’ nada nos permite destinar mais tempo para atividades que antes ficavam em segundo plano, como por exemplo, praticar uma atividade física”, comenta a empresária, sobre as vantagens do home office. 

Trabalho remoto desde o princípio

Já na agência de marketing digital Aposto Comunicação o trabalho remoto nunca foi novidade. Desde sua inauguração, há cerca de três anos, os parceiros de vida e trabalho Bruna de Moura e Cristiano Migon têm atendido seus clientes de um escritório montado em casa. E essa decisão, na opinião dos empresários, pode ser resumida em uma palavra: liberdade. “Na nossa visão como gestores, a melhor forma de aguçar a criatividade é estar onde optar, fazendo o que ama e assim podendo dar o teu melhor num projeto”, declara. 

Hoje, a equipe da Aposto Comunicação conta com cinco parceiros atuando de forma remota em suas áreas específicas. A estratégia, na opinião de Bruna, tem possibilitado maior conforto e produtividade por parte dos parceiros, resultando em clientes mais satisfeitos. Além disso, vai ao encontro da principal visão da agência: o poder do digital para transformação de marcas e empresas. “E para defender o que acreditamos, precisamos pensar em não criar ideias formatadas por um espaço físico. Precisamos expandir as barreiras da comunicação. Não queremos ser reconhecidos pelo local onde estamos, e sim pelo potencial que cada profissional coloca nos projetos, independentemente de onde ele esteja fazendo isso”, complementa a empresária. 


Foto: Aposto Comunicação
 

Além da melhor produtividade, Bruna destaca as vantagens financeiras e a liberdade geográfica, podendo fazer o que se ama em qualquer canto do mundo, benefícios que se tornaram ainda mais evidentes durante a pandemia. “Eu sou extremamente atuante no digital e busco fazer meu papel de responsabilidade social quanto profissional, que é de despertar a consciência de todo ser que empreende, o quanto o digital é uma realidade e o quanto o marketing off-line e on-line precisam andar juntos”, comenta. “Em uma das maiores crises mundiais, ficou evidente que aqueles negócios que conseguiram se manter tinham ou aderiram ao suporte de atendimento ao cliente no digital”, analisa.

Desafios do home office

A empresária Vânia de Moura alerta que, apesar dos benefícios, as pessoas precisam ter consciência dos desafios surgidos no trabalho remoto. “A perda da privacidade, com as interrupções por parte dos filhos, dos pets, da pessoa que ajuda na casa, do barulho do aspirador, do vizinho em obras, podem tirar o foco do trabalho”, relata. 

Dessa forma, ela aconselha os trabalhadores em home office a organizarem um local fixo e bem organizado em suas casas, a fim de desenvolver o trabalho com atenção, sem distrações. “Estabelecer uma lista de tarefas e cumprir os cronogramas também é muito importante e ajuda na produtividade”, aconselha Vânia.

Outra questão diz respeito à falta do contato pessoal, principalmente durante a pandemia. “Por sermos da área da comunicação, gostamos muito de reunir pessoas, e às vezes sentimos que trabalhar em casa é um pouco solitário. Por isso, aos poucos, estamos retomando as nossas reuniões presenciais, vamos a cafés, tomamos um sorvete, apreciamos o pôr do sol e temos longas conversas”, conta.

Mas no geral, a empresária avalia que apenas tem enxergado vantagens no home office. “Ao olhar para o mundo todo, de dentro da nossa casa, entendemos que o que antes chamávamos de plano profissional, elevamos ao quadrado. Deixou de ser só trabalho, para se tornar um projeto de vida”, analisa a empresária.  

Samantha Paz complementa que, durante a pandemia, empresários e clientes tiveram a oportunidade de vivenciar outras formas de prestar e receber serviço, ou de vender e consumir. Para a empresária, tudo que for feito com dedicação, amor e visando facilitar a vida das pessoas terá um espaço garantido no mercado. “Nossos sonhos não precisam ser desacreditados, podem ser repaginados!”, finaliza.
 

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