Desemprego preocupa haitianos

As dificuldades de colocação no mercado de trabalho são as principais queixas dos haitianos que escolheram o município para viver. Segundo levantamento da Associação dos Imigrantes Haitianos de Bento Gonçalves (AIHB), cerca de 30% estão desempregados. De acordo com o presidente da entidade, Manasse Marotiere, as mulheres são as que mais sofrem para conseguir emprego. “Como quem não consegue serviço vai conseguir viver?”, questiona.

A situação estava confortável até 2014, quando não faltavam vagas e havia também oportunidades como contratações temporárias para o período de safra da uva. Com a crise, o desemprego passou a ser realidade também para os imigrantes. Por não conseguirem validar o diploma, muitos haitianos com curso superior acabam conseguindo colocação apenas como auxiliar de produção. Os frigoríficos da região são os que mais absorvem a mão de obra haitiana, empregando em torno de 400 imigrantes. “Ninguém está trabalhando em sua área de formação. Tem até médicos que não conseguem atuar”, lamenta Marotiere, que, apesar ser técnico de informática, trabalhava em uma empresa de britagem. De acordo com a associação, mesmo com a crise, o município continua a ser visado pelos imigrantes. Já são 1.350 haitianos vivendo em Bento Gonçalves – sendo que 50 chegaram em 2016.

Manasse fez parte de um dos primeiros grupos de haitianos que desembarcaram na cidade, em 2012. “Não conhecia ninguém, e no começo foi bastante difícil”, conta. Com auxílio da internet, mais especificamente do Google Tradutor, aprendeu a falar português e hoje, além de conseguir comunicar-se, serve de intérprete para os outros imigrantes. Decidido a ajudar os conterrâneos, para que não enfrentassem as mesmas dificuldades, fundou a AIHB. Como ainda está afastado do trabalho por recomendação médica após uma cirurgia para retirada de um tumor na mandíbula, dispõe de tempo para auxiliar em questões burocráticas ligadas a emprego e moradia.

O aluguel também é outro entrave. A necessidade de fiador e avalista, muitas vezes, impede que o contrato com imobiliária seja fechado. Os imigrantes hoje estão espalhados por diferentes bairros, sendo Conceição, Eucaliptos e Zatt onde a concentração é maior. Um dos sonhos de Manasse é a criação de um espaço central que pudesse servir de sede para a associação – atualmente, ele recebe as demandas na casa em que mora, no bairro Fenavinho.

Reunião aberta

No sábado, dia 27, a Câmara de Vereadores promove, a partir das 14h, uma reunião aberta com a Associação dos Imigrantes Haitianos de Bento Gonçalves. O encontro, convocado pelo vereador Moisés Scussel Neto, quer discutir os problemas enfrentados no município. “Eles já estão aqui, não tem volta. Queremos ajudar na busca por soluções. Os haitianos não são um problema, eles fazem parte de Bento Gonçalves. Se não forem inseridos na comunidade, aí sim vamos ter um problema social muito grande”, comenta o vereador, que acredita que o encontro será um grande marco para a integração dos imigrantes.

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