Dueto pelas liberdades

Tempos atrás, me peguei conversando com a Dra. Viviane Weirich, advogada e graduada em Comércio Internacional, sobre as redes sociais e os idiotas. Por conta de uma postagem em uma rede social, acabamos falando sobre Umberto Eco e os idiotas, fizemos comparativos com outras épocas e fatos e chegamos a uma análise da Revolução Francesa. A conversa evoluiu tanto que a convidei para escrever esta coluna comigo. Confira: 

Sempre que uma pessoa fizer referência ao direito de liberdade de expressão, quando se manifesta nas redes sociais, penso naquela liberdade que forjou a Revolução Francesa e que, somada à igualdade e fraternidade, deram voz aos modelos de democracia que permeiam a formação da maioria dos países. 

É preciso lembrar que a Revolução Francesa iniciou muito antes do pleito ao direito de liberdade. Desencadeou-se pela fome e desespero das mulheres, mães francesas que invadiram o Palácio de Versailles buscando, das mãos dos cozinheiros do Rei, que dessem pão aos seus filhos, já que não venciam alimentá-los, em face do exorbitante preço praticado à época. Os conhecidos e saborosos baguetes franceses, assim, o marco da vitória da vida sobre a liberdade, a igualdade e a fraternidade. 

Essas mães formaram opinião, não pelas redes sociais, mas pela miséria que aplacava a criação dos filhos. Uniram-se pelos sinos das igrejas e adentraram ao palácio do Rei. Queriam apenas alimentar a prole. O que veio depois são os desdobramentos da crise vivida na época e na inauguração de um novo modelo de estruturação do Estado. 

A lembrança desse passado traduz na compreensão de se analisar como se forma a opinião da sociedade nos dias atuais, com jovens que se lançam formadores de opinião, travando discursos de ódio, preconceito e racismo, dentre tantos outros contrassensos lançados à sociedade com um movimento do mouse do computador. 

Aquelas mães francesas não olharam para a cor, a crença religiosa, a ideologia política das famílias. Elas queriam alimentar a todos e o fizeram de forma tão intensa, que mudaram a concepção do próprio Estado. Portanto, antes de valorar a liberdade de expressão como um escudo às bizarrices de internet, é preciso pensar se o que será publicado é necessário e suficiente para alimentar a prole, não com pão, mas com retidão, ética e temas construtivos que possam, ao final, tanto quanto a marcha das mulheres, inaugurar talvez, um novo modelo de Estado, cujos cidadãos possam exercer a democracia também através das mídias sociais, de forma construtiva, organizada e voltada ao bem estar do povo. 

Pois é, Dra. Viviane, como falamos, não basta termos a liberdade de nos expressarmos, se não soubermos usá-la.

Até a próxima! 

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