Epílogo

Certa vez, ou melhor, mais de uma vez, me deparei com a expressão: “se queres entender a vida, lembra-te da morte”. Com esse início, pode parecer que eu estou escrevendo meu epitáfio. 

Não o é, contudo! Longe disso! Bem longe…

Trata-se, sim, ao seu total oposto. Trata-se se uma tentativa, vã talvez, de fazer com que comecemos a dar valor às coisas enquanto as temos e não somente quando as perdemos. 

Nós, humanos, aqueles que deveriam ser racionais, pelo menos assim somos tratados nos livros da escola desde a tenra idade, temos a tendência de dar valor para as coisas somente quando elas acabam, quando não as temos mais, ou quando as pessoas morrem. Quando mortos, sempre damos um jeitinho de nos despedirmos, fazer uma oração à beira de um caixão, de uma cova, de uma cerimônia de cremação. Aliás, quão boas ficam as pessoas quando morrem…

Até hoje, não me lembro de ter visto alguém dizer: “Morreu aquele(a) cafajeste! Esse não engana mais ninguém!”. Não!

Todos ficam bons quando morrem. Ou, pelo menos, deixam boas lembranças. Afinal, não quero crer que a morte apague um passado de erros. Ou os erros do passado… 

O certo é que, pelo que me lembro, em todos os velórios e sepultamentos, as pessoas só tem qualidades. No meu velório, se eu tiver um, por favor, não chorem! E, por favor, lembrem-se dos meus defeitos. São vários! E falem deles! E riam deles! Sobretudo, riam! Não por estarem felizes pelo meu passamento, mas porque é assim que eu quero lembrar de vocês, rindo, felizes. Esse foi meu objetivo, sempre: FAZER AS PESSOAS FELIZES! Afinal, como diz meu amigo Sergio Tramontina Júnior: “Mano, a gente anima até velório”… E eu creio que isso seja verdade! 

Mais ainda – e voltando àquilo que comecei a falar quando disse que sempre damos um jeitinho de nos despedir de quem se foi –, lembremo-nos de estar perto daqueles que amamos. Lembremo-nos de dar-lhes nosso bem mais precioso.

Lembremo-nos que nada é para sempre. Então, lembremo-nos de estar perto daqueles que amamos a maior parte de tempo possível. Afinal, não sabemos quanto tempo mais teremos perto daquela ou daquelas pessoas. 

Se as coisas duram o tempo que tem que durar, e o que fica para sempre são as lembranças, cultivemos boas lembranças! 

Até a próxima!

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