Estudantes reclamam da falta de transporte público para acesso a UCS durante o dia e à noite

Segundo eles, as linhas foram retiradas por causa da pandemia da COVID-19, porém, agora, com boa parte da população vacinada e aulas 100% presenciais, o transporte não retornou A prefeitura de Bento, a UCS e as duas empresas de transporte público da cidade se manifestaram

Foto: Google Maps

Estudantes de Bento Gonçalves têm reclamado da falta de linhas de ônibus para acesso ao campus da Universidade de Caxias do Sul (UCS), no bairro Universitário. De acordo com eles, ambas as empresas que fazem o serviço na cidade reduziram significativamente os horários, fazendo com que os universitários e usuários do campus precisem optar por táxi e transporte por aplicativo, aumentando as despesas, ou até mesmo que arrisquem um longo trajeto a pé. 

De acordo com publicação nas redes sociais, o acadêmico de Psicologia Rafael Audibert destaca que os estudantes têm enfrentado diversos problemas com a falta de linhas. Segundo ele, é necessário caminhar mais de 1km de uma parada de ônibus na avenida São Roque até a entrada dos blocos. Eles também encontram a opção de pegar um transporte pelo bairro Universitário, porém, mesmo assim, é necessário que um bom trajeto seja feito por caminhada.


Os únicos horários disponibilizados que entram no campus universitário são às 7h20, às 8h05 e às 19h (empresa Bento Transportes) – todos com saída de um terminal no Centro da cidade – e às 18h54 (Santo Antônio). Audibert reforça que alguns alunos não têm aulas apenas no turno da manhã ou da noite, horários em que as linhas estão concentradas.

No caso daqueles que estudam no vespertino (a partir das 16h40), simplesmente não há transporte público. Audibert destaca o perigo que todos os estudantes e professores correm ao fazer o percurso por conta própria. “É um absurdo. Aí tu pega dia com chuva […] e se precisar chegar, por exemplo, às 18h e que já está escuro, imagina para uma mulher ter que cruzar a pé todo aquele mato da UCS. Está bem complicado.”

A também estudante de Psicologia Luisa Ferreira afirma que os horários das linhas acabam colidindo com os de seu trabalho, o que não a permitem utilizar o transporte. Assim, Luisa precisa optar por gastar mais e chegar tranquila, ou caminhar e se submeter aos riscos de um local pouco movimentado. “À tarde a UCS fica bem vazia, pra ser sincera, sinto medo de fazer esse caminho sozinha, não é muito difícil de acontecer algo com uma mulher em meio a toda aquela área”, explica. 

Os estudantes também pontuam que não só eles os prejudicados. O curso de Psicologia, por exemplo, promove atendimentos gratuitos à comunidade bento-gonçalvense. Sem o transporte, o comparecimento de pacientes também é afetado. “Essa escassez de horários dificulta, e muito, as pessoas que procuram pelos atendimentos gratuitos fornecidos pela UCS”, destaca Luisa.

“Imagina, tu pega alguém que mora no [bairro] Santa Helena, encaminhado pela UBS para ser feito atendimento por nós. Ela precisa pegar um ônibus até o Centro, outro ônibus até a avenida São Roque, da avenida São Roque caminhar esse 1 quilômetro e 200 [metros] para chegar na UCS para consulta e depois fazer todo caminho inverso. Então, a comunidade não acessa”, reforça Audibert.


Questionado sobre a possibilidade da prefeitura de Bento intervir no caso e solicitar a expansão de linhas, o secretário de Mobilidade Urbana, Henrique Nuncio, afirmou que é necessária uma avaliação do caso. “Quanto ao transporte público deve-se fazer uma avaliação de quais rotas estão tratando. Realmente, desde o início da pandemia foram reduzidas as linhas que passam pelo Campus devido às aulas não terem sido retomadas em sua integralidade. É possível solicitar o aumento de linhas às empresas, para que se retome com maior brevidade ao mais próximo do cenário anterior a pandemia”, explica.

A UCS se manifestou sobre a situação por meio de nota oficial. “A Universidade, por meio da Sub- -Reitoria da UCS Bento Gonçalves, acompanha a situação do Transporte Público para o Campus e está em contato com a Prefeitura e as empresas que prestam os serviços de mobilidade urbana, a fim de encontrar soluções na disponibilidade dos serviços.”

Via e-mail, a Bento Transportes se manifestou que está disponível para receber sugestões da comunidade pelo telefone (54) 3452.2977. “Os pedidos são analisados para verificarmos a viabilidade da colocação ou não, visto termos um custo altíssimo para deslocamento de ônibus pela cidade e principalmente o valor do óleo diesel, hoje responsável em torno de 50 % do custo de rodagem.”

A Santo Antônio afirmou que suas linhas atendem demandas. “Para a região do campus da UCS em Bento, foram realizados os estudos da viabilidade para as solicitações feitas, sendo que os horários existentes estão atendendo a demanda da comunidade naquela localidade. Eventual necessidade de implantação deve ser dirigida diretamente à empresa, levando as informações de rotas e horários, o que possibilitará ser feito o levantamento da necessidade desta linha, tomando as providências necessárias para atender aquela demanda.” Estudos de viabilidade também são feitos.