Falsa médica é presa em flagrante no RS

A mulher, de 33 anos, atuava desde 2017 no posto de saúde de atendimentos de indígenas no município de Cacique Doble

Foto: Cremers

Uma mulher foi presa em flagrante na sede do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) nesta sexta-feira, 15/09, ao apresentar um diploma falso para obter o registro de médica. A Secretaria Operacional do Conselho, setor responsável pela expedição de documentos dos médicos, identificou a fraude e coordenou uma ação com a Polícia Federal (PF) para prender a falsária, de 33 anos, que exercia ilegalmente a Medicina no município de Cacique Doble.

A mulher, que é natural do Acre, apresentou diploma de Medicina do Centro Universitário Funorte, de Montes Claros, Minas Gerais. A fraude foi constatada na fase de conferência dos documentos, em que o Cremers verifica, entre outros, a validade do diploma junto às universidades.


Segundo o diploma falso, a formatura teria acontecido em 1º de fevereiro de 2023. No entanto, a mulher, que tem registro do Ministério da Saúde no Programa Mais Médicos, atendia comunidades indígenas em Cacique Doble desde 2017. Na internet, ela se intitula especialista em Saúde da Família e Comunidade.

“Isso demonstra a fragilidade do Programa [Mais Médicos], colocando a população em risco ao ser atendida por falsos médicos”, afirma o presidente do Cremers, Carlos Sparta. O Cremers irá oficiar o Ministério da Saúde e a prefeitura de Cacique Doble sobre o caso.

Rede de fraudes

Em contato com outros Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), foram identificados mais nove diplomas falsos da mesma universidade. Os documentos foram usados em tentativas de obter registro de médico na Bahia, Maranhão, São Paulo e Tocantins. O grupo chegou a criar um e-mail falso da universidade para enviar a ata da colação de grau aos CRMs.

No início da semana, o Cremers havia identificado mais uma pessoa que apresentaria diploma falso para solicitar o registro, mas acabou desistindo. A fraude foi denunciada à Polícia Federal.


Prefeitura se manifesta

No sábado, 16/09, a prefeitura de Cacique Doble se manifestou sobre o caso. Segundo o Executivo, a médica era contratada pelo governo federal e atuava no posto de saúde da área indígena, que é administrado pela SESAI/FUNAI “não tendo o município de Cacique Doble qualquer gerência sobre o local e/ou os profissionais que lá atuam”, diz.