Falta a consultas agendadas ainda é grande

No primeiro semestre deste ano, 670 pacientes não compareceram a consultas agendadas no Centro de Referência Materno Infantil (CRMI). Os números estão afixados no mural da unidade, abaixo de um cartaz que explica aos pacientes que falta no atendimento colabora para o desperdício de recursos públicos. O CRMI, que realiza tratamentos especializados com bebês e gestantes, atende cerca de mil pacientes no serviço de Ginecologia e Obstetrícia e 400 pacientes na pediatria. Os dados divulgados contabilizam também consultas nas áreas de Psicologia, Psiquiatria, Nutrição e Enfermagem.

A coordenadora do CRMI, Andressa Dal Cin, destaca que esta foi uma iniciativa da unidade. “Desde janeiro começamos a contabilizar as faltas, tanto para termos um controle mais preciso como para conscientizar os pacientes com a divulgação dos números”, explica. Segundo ela, ainda é cedo para fazer uma avaliação mais detalhada, mas a equipe tem percebido que houve uma diminuição no número de faltantes. “Alguns pacientes já se conscientizaram e ligam no dia avisando que não poderão comparecer. O ideal é avisar com um dia de antecedência”, orienta.

Além de expor os dados no mural – medida que iniciou há dois meses – a unidade também tomou outras providências para coibir as faltas. Nas consultas pediátricas, em casos de faltas recorrentes, o Conselho Tutelar é comunicado. De acordo com Andressa, não é possível quantificar o prejuízo financeiro que o município tem, já que os profissionais não são pagos pelo número de atendimentos realizados e sim pelo turno de trabalho. “Os maiores prejudicados são os próprios pacientes, que precisam aguardar mais tempo por uma consulta. No caso da Psiquiatria, por exemplo, a fila de espera às vezes chega a um mês”, observa.

No inverno, em virtude do frio e das chuvas, as faltas são mais frequentes. A principal justificativa dos pacientes é mesmo o esquecimento do agendamento. “Na gravidez, são muitos exames e consultas e a gente acaba esquecendo”, justifica Patrícia Cabral, grávida de oito meses. Ela já chegou a faltar uma consulta com a nutricionista e acredita que um dos motivos é a marcação com muita antecedência. “Poderiam marcar as consultas com um intervalo menor. Telefonar no dia anterior para confirmar a consulta poderia ajudar, mas entendo que é inviável pelo número expressivo de pacientes”, complementa.

A divulgação dos dados sensibilizou Giórgia De Marco, paciente do CRMI e que está no final da gestação. Ela tomou a iniciativa de fotografar os cartazes e compartilhar no Facebook junto com um cálculo feito com base nos valores de consultas particulares que ela já pagou. A soma do desperdício ultrapassaria R$ 100 mil. “É inacreditável que um número tão grande de pessoas que podem usufruir desse serviço de saúde gratuito, tão importante para a vida da gestante e do bebê, simplesmente não compareça às consultas. Me sinto lesada pelos outros pacientes que simplesmente não comparecem às consultas e aos exames que são pagos pelo SUS, que por sua vez são pagos pelos meus impostos e de tantos outros contribuintes. Temos à disposição um serviço de saúde que não merece a população que tem”, desabafa.

Além de elogiar o serviço, por ser bom e completo, ela acredita que o agendamento prévio é suficiente. “No consultório particular, às vezes ligam no dia anterior para confirmar a consulta, mas eles atendem 10 pacientes por dia”, comenta. Giórgia nunca faltou às consultas e costuma avisar até mesmo os possíveis atrasos ao horário marcado. “É só anotar no calendário ou colocar um bilhete na geladeira ou ao lado da cama. As pessoas têm que ter noção dos seus compromissos e saber que, ao faltar, é o dinheiro público que está sendo rasgado. Estou cansada de só ouvir que o governo não dá nada, que falta saúde, que falta e educação, que a criminalidade aumenta porque não tem escolas. As pessoas só reclamam de tudo, mas não fazem sua parte”, lamenta.

Exames não retirados

O problema é registrado também nos outros serviços de saúde oferecidos pelo município. Segundo dados divulgados pela prefeitura no início do ano, em média 21,5% dos pacientes não comparecem para realizar consultas e retirar exames. Ao contrário das consultas, que mesmo com as desistências ainda é possível remarcá-las, os exames realizados e não retirados representam um desperdício financeiro que não tem volta. O prejuízo contabilizado pela secretaria municipal de Saúde, considerando os valores destinados para a compra de exames em rede particular, ultrapassou R$ 500 mil em 2014. O cálculo não contabiliza exames simples realizados nas Unidades Básicas de Saúde, nem os custos do laboratório central e do setor de raio-x, mantidos pela prefeitura.

Faltas no mês e no semestre:

Junho
Ginecologia/Obstetrícia: 43
Psicologia: 14
Psiquiatria: 32
Nutrição: 11
Enfermagem: 4

Semestre
Ginecologia/Obstetrícia: 321
Psicologia: 95
Psiquiatria: 180
Nutrição: 36
Enfermagem: 38

Reportagem: Carina Furlanetto

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