Fisioterapeuta fala sobre a importância de acompanhamento para gestantes

O tema também foi pauta na última sessão da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves

Foto: Arquivo pessoal

Durante a gestação, a estrutura do corpo da mulher passa por diversas transformações para se adaptar à chegada do bebê, o que pode gerar dores e desconfortos que duram até mesmo após o parto. Entre as alternativas para prevenir e amenizar os efeitos dessas mudanças físicas, psicológicas e hormonais, a fisioterapia tem estado cada vez mais presente na rotina das mães. A fisioterapeuta pélvica Priscilla Mosconi explica que o profissional da fisioterapia trabalha o corpo da gestante de forma global. “A fisioterapia obstétrica consiste em preparar as mulheres para uma gestação, parto e pós-parto mais tranquilos e saudáveis. Preparando o corpo para as alterações biomecânicas e para que possa desfrutar dessa fase da vida com qualidade, conforto e segurança”, afirma a fisioterapeuta. O tema também foi pauta na última sessão da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves, na segunda-feira, 27/06, quando foi aprovado, por maioria de votos, o projeto que autoriza a presença dos profissionais de fisioterapia durante o período de pré-parto, parto, e pós-parto, sempre que solicitado pela parturiente.

Indicada para promover bem-estar e saúde à gestante, a fisioterapia pélvica atua no fortalecimento de músculos do assoalho pélvico para manter a continência urinária e fecal; na diminuição de dores e desconfortos nas costelas ou na lombar; na melhora da postura e da respiração; além da preparação do períneo para o parto. “Gosto de salientar que a gestante pode procurar a fisioterapia pélvica independente da via de parto que escolher, pois a demanda gestacional é responsável por diversas disfunções”, enfatiza Priscilla.

Massagens, posturas que aliviam as dores das contrações, a diminuição do tempo em trabalho de parto, aumento da dilatação e até técnicas para que a descida do bebê seja mais tranquila são trabalhadas com antecedência pelos fisioterapeutas. “Treinamos, ainda em consultório, as posturas que favorecem a saída do bebê e também evitam traumas ao períneo, e a força que a gestante deve fazer na hora do puxo espontâneo, ensinando a relaxar o canal através da vocalização [voz]”, detalha.

Ao longo dos preparativos para o parto, a fisioterapia também marca presença para auxiliar a gestante a curtir a chegada do bebê e a maternidade. “Ajudamos a reduzir a dor das contrações, pois temos meios não farmacológicos para aliviar, usando métodos como ‘TENS’, uma corrente elétrica que produz uma diminuição significativa da dor, adiando a necessidade de uma analgesia, e não tem efeitos prejudiciais”, explica a profissional.

Projeto de lei

Aprovado na última sessão da Câmara de Vereadores, por maioria de votos, o projeto de lei ordinária 43/2022, de autoria do vereador Davi Da Rold (PP), dispõe sobre a autorização da presença de fisioterapeutas durante o período de pré-parto, parto e pós-parto, sempre que solicitados pela parturiente. Segundo o autor da proposta, o objetivo do projeto é “dar dignidade, tanto no Pré-Natal quanto durante o parto, como no pós-parto, justamente, no intuito de não somente valorizar os profissionais como também dar as condições necessárias para as gestantes que estão gerando vida”.

Sob a justificativa de que projeto contém vício de iniciativa, o vereador Agostinho Petroli (MDB) acompanhou o parecer desfavorável do Jurídico da Câmara e votou contra. Segundo ele, mesmo válido, o projeto interfere na iniciativa privada e deveria ser de autoria do Executivo. O segundo voto contrário foi do vereador Paco (PTB).  Para o autor do projeto, o argumento não faz sentido. “Existem outros municípios que já aprovaram esse projeto pela Câmara de Vereadores. A Câmara dos Deputados não tem uma lei federal nesse sentido, mas sim para as doulas”, destacou. Um projeto em relação às doulas foi aprovado pelo Legislativo de Bento em setembro de 2021. Aprovado com dois votos contrários, o projeto seguiu para sanção ou veto do prefeito Diogo Siqueira.

Sobre a importância da iniciativa, Priscilla destaca que esse é um desejo geral da comunidade de fisioterapeutas. “Acredito tanto que a fisioterapia pode auxiliar na experiência de parto dessa parturiente, que a gente luta por isso, para que todas as maternidades do Brasil tenham acesso aos fisioterapeutas, que é um profissional da saúde que presta este atendimento a mulher nesse momento tão especial. E tem um movimento no Brasil para que isso aconteça”, finaliza.

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