Grupo discutirá desemprego entre os imigrantes haitianos em Bento Gonçalves

Prefeitura, Legislativo e entidades devem, juntos, buscar uma solução para as dificuldades de colocação no mercado de trabalho enfrentadas pelos imigrantes haitianos que escolheram Bento Gonçalves para morar. O problema foi levantado durante reunião aberta realizada no último sábado, 27, na Câmara de Vereadores. O encontro, convocado pelo vereador Moisés Scussel Neto, teve como encaminhamento a criação de um grupo que irá discutir a questão.

De acordo com o coordenador da agência local da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social/Sistema Nacional de Emprego (FGTAS/Sine), Alexandre Maso, há empresas que dão preferência à contratação de haitianos, por desempenharem bem as funções para as quais são contratados. As oportunidades são geralmente para linha de produção. Entretanto, além da pouca oferta de vagas – problema que afeta também os brasileiros -, os imigrantes enfrentam ainda outra barreira: o idioma. “Os que chegaram mais recentemente ao país ainda não se defendem bem no português. Já houve casos de acidentes de trabalho envolvendo haitianos por dificuldades de comunicar as instruções”, observa. Sobre as poucas vagas destinadas ao público feminino, outra reclamação frequente, Maso diz se tratar de uma questão legal. “Em algumas linhas de produção há excesso de peso a ser carregado, o que inviabiliza a contratação de mulheres”, justifica.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Silvio Bertolini Pasin, propõe uma ação conjunta com os empresários, buscando quais as qualificações dos imigrantes que podem ser absorvidas pela indústria – muitos têm formação superior, mas não atuam na área por não conseguirem validar o diploma. “Há consenso de alguns empresários sobre a qualidade e vontade de trabalhar dos haitianos. Para largar o seu país e vir aqui, enfrentar uma realidade diferente, tem que ter muita coragem. Eles são um povo pacífico, e isso é interessante”, comenta.

Conforme levantamento da Associação dos Imigrantes Haitianos de Bento Gonçalves (AIHB), o desemprego atinge cerca de 30% dos 1.350 haitianos que vivem no município. Os frigoríficos da região são os que mais absorvem a mão de obra estrangeira, com cerca de 400 postos ocupados. Durante a reunião, dificuldade para locação de moradia e continuidade dos estudos, falta de vagas em creches e preconceito também entraram na pauta. “Estamos aqui com o objetivo de recomeçar a nossa vida, mas sem esquecer dos familiares que ficaram na terra natal, que precisam do dinheiro que encaminhados a eles”, destaca o presidente da entidade, Manasse Marotiere.

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