Homicídios em Bento chegam a 12 no ano

Mortes violentas têm chocado a comunidade bento-gonçalvense nas últimas semanas. Depois de dois meses sem registro de homicídios, três crimes deste tipo vitimaram moradores da cidade. Um quarto caso chegou a ser registrado, mas a vítima sobreviveu.  Os crimes mais recentes ocorridos no município têm em comum o uso de arma de fogo. Com as mortes, já chega a 12 o número de assassinatos neste ano, um a menos do que o registrado em todo o ano de 2010.

O primeiro caso ocorreu no dia 20 de novembro, quando um homem foi baleado no bairro Santa Helena. Ademir Coser, de 37 anos, chegou a ser socorrido e permaneceu internado por cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Tacchini, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no início da noite da última sexta-feira, dia 25.

No dia 22 de novembro, um casal foi encontrado morto em um quarto de motel em Farroupilha. Segundo informações dadas no dia do crime pela delegada titular do município, Roberta Bertoldo da Silva, a polícia trabalha com a hipótese de homicídio seguido de suicídio, o que configura crime passional. David Tomas Basso, 51 anos, teria disparado contra a companheira, Carmem Santos da Rosa, 40, e depois contra si mesmo. Roberta preferiu não se manifestar sobre o caso posteriormente, alegando ainda estar em fase de investigação.

Dois dias depois do caso do motel, um homem de 24 anos foi baleado quando chegava em casa, no bairro Eucaliptos. A vítima, William Jaime Calonego, chegou a ser socorrida e passou por processo cirúrgico, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no início da manhã do último sábado, dia 26.

No domingo, dia 27, um homem de 23 anos de idade foi baleado na rua Balduíno Alegretti, no bairro Municipal. Segundo informações da Brigada Militar, Denisar Cabral da Luz levou seis tiros na região do peito. Ele foi conduzido para o Hospital Tacchini, onde passou por processo cirúrgico. Conforme informações do hospital, o quadro de saúde dele apresentou melhora durante a semana, mas até o fechamento desta edição, ele permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) intermediária, em observação.

Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil de Bento Gonçalves. Informações anônimas que possam auxiliar na investigação podem ser repassadas através dos telefones (54) 3452 7003, 3452 2500 ou 3452 3200.

“Não é crime passional, é feminicídio”

A psicóloga do Centro de Referência à Mulher que Vivencia Violência (Centro Revivi) de Bento Gonçalves, Sandra Giacomini, avalia o homicídio seguido de suicídio que envolveu moradores de Bento Gonçalves na última semana como feminicídio. “Entendemos que não existe crime passional. Não é o amor, o ciúme e a rejeição que matam, mas o machismo, o sentimento de posse e a naturalização da violência masculina”, defende. Para Sandra, a terminologia é a mais adequada porque se refere à morte de mulheres causada e legitimada pelo simples fato de serem mulheres. “Desta forma evidenciamos a desigualdade entre os gêneros, a desigualdade de poder entre homens e mulheres, incluindo o poder de uns sobre a vida de outras”, lamenta.

A psicóloga detalha que as mulheres são educadas desde a infância em um modelo de feminilidade baseado na fragilidade e na dependência. Para ela, mesmo com inúmeras transformações neste contexto, fruto dos movimentos sociais e da construção de políticas públicas, o prestígio social feminino ainda está muito associado ao casamento. Em situações extremas, elas chegam a sacrificar sua integridade física e mental em nome da manutenção de um relacionamento afetivo. “São múltiplas as facetas envolvidas neste processo histórico de sujeição feminina, que também envolve um sofrimento masculino. De qualquer modo, entendemos que um importante caminho é o reconhecimento das desigualdades de gênero, que deve ser combatido com ações que demonstrem seu caráter coletivo e cultural, indo muito além de um caso de amor frustrado”, sugere.

Neste sábado, dia 3, acontece a campanha “Homem pelo fim da violência contra a mulher”. A atividade acontece entre 9h e 11h30 na Via Del Vino, centro da cidade. Durante o movimento, homens da Rede de Atenção à Mulher estarão distribuindo material informativo sobre a campanha e fitas alusivas ao tema. A ação é promovida pelo Conselho dos Direitos da Mulher (COMDIM), Coordenadoria da Mulher e o Centro Revivi.

Greice Scotton

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