Hospitais do RS ameaçam interromper atendimentos se IPE não revogar tabela de remunerações

Reunião entre o governo do Estado, Ministério Público e os representantes dos hospitais está agendada para sexta-feira, 03/06, para resolver novo escândalo envolvendo plano de saúde

Foto: Divulgação

Mais um capítulo envolvendo o IPE Saúde e os hospitais do Rio Grande do Sul se desenrolou na terça-feira, 31/05. Em reunião realizada pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do RS e pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no RS (Fehosul), em Porto Alegre, foi acordada a suspensão dos atendimentos não urgentes caso o plano de saúde do Estado não revogue as três novas tabelas de remuneração. Conforme os hospitais, os novos valores apresentados representam queda de receita para as instituições de saúde. A suspensão dos atendimentos prejudicaria cerca de 1 milhão de usuários do plano.

O episódio se soma ao escândalo da dívida que vem se arrastando há meses junto aos hospitais. Somente no Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves, o IPE Saúde acumula um débito de R$ 6 milhões, conforme último levantamento feito pela instituição de saúde em maio.

Os hospitais argumentam que duas das tabelas que entraram em vigor no dia 26/05 tiveram reajustes para mais. Entretanto, aquela que soma o maior peso na receita total, que é a dos medicamentos, teve redução média de 20%. No acumulado dos reajustes apresentados pelo IPE Saúde, os hospitais sofreriam uma queda de receita anual de R$ 60 milhões.

Durante a reunião na terça, as instituições de saúde haviam acordado dar um prazo de apenas 24 horas para a revogação das novas tabelas. Entretanto, o Ministério Público solicitou um tempo maior para que, na sexta-feira, 03/06, possa se reunir com o governador Ranolfo Vieira Júnior para discutir a questão. As entidades representantes dos hospitais também estarão presentes. “Após contato com o governador por telefone, ainda durante a reunião desta tarde [terça, 31/05], conseguimos dar início a um processo de mediação entre as partes, cujo objetivo principal do MPRS [Ministério Público do RS] é impedir essa ruptura nas negociações, que poderá impactar milhares de usuários do IPE”, destacou o procurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles.

Depois de mais de duas horas de reunião, os dirigentes aceitaram proposta encaminhada pelo procurador-geral de Justiça, comprometendo-se em consultar os demais sobre a possibilidade de desistir da suspensão anunciada, até reunião agendada com o governador do Estado, Ranolfo Vieira Júnior, nesta sexta-feira, 03/06. Foto:  Tiago Coutinho/ MPRS

Caso não haja resoluções por parte do governo do Estado, a partir da próxima segunda-feira, 06/06, não serão mais realizados atendimentos não urgentes e procedimentos eletivos pelo IPE Saúde.

No dia 26/05, o plano anunciou que realizaria um pagamento extraordinário de R$ 150 milhões os hospitais, clínicas e laboratórios no dia 31 de maio, para reduzir a dívida com prestadores. No mesmo dia, foram publicadas as novas tabelas de medicamentos, diárias e taxas hospitalares no Diário Oficial. Na ocasião, o presidente do plano, Bruno Jatene, havia informado que as ações seriam “fruto de estudos e reuniões técnicas que têm foco na sustentabilidade do instituto, a partir, principalmente, do controle das despesas e de práticas já adotadas no mercado”. A atualização teria sido realizada para ajustar a remuneração a valores de mercado.

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