IGP ultrapassa 10 mil coletas de material genético em condenados

O Instituto Geral de Perícias coletou 10.888 amostras de material genético em apenados do sistema prisional gaúcho. A marca colabora para o combate à criminalidade, já que permite apontar a autoria de crimes, fornecendo a prova técnica para futuras condenações. Neste ano, entre abril e setembro, foram realizadas 4.853 coletas, muito próximo da meta de 5 mil projetada para este ano, que deve ser alcançada até dezembro.

As coletas realizadas em institutos prisionais são realizadas apenas em quem já recebeu condenações por crime doloso, praticado com violência grave contra a vítima, crimes contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável. Duas peritas criminais percorreram mais de dez mil quilômetros, em mais de 60 municípios, apenas em 2021, realizando este trabalho. Para as coletas, elas utilizam um cartão que não apenas armazena, mas também extrai o DNA da boca do condenado, eliminando a etapa da extração exigida quando são usados os swabs orais. O procedimento obrigatório dura cerca de um minuto, e foi recusado por menos de 1% dos apenados. A negativa a realizar o procedimento gera falta grave, podendo levar a perda de benefícios, como a progressão de pena.


 

As amostras dos condenados são inseridas no Banco de Perfis Genéticos do IGP (BPG/RS). O processamento do material coletado este ano deve iniciar em outubro e levando aproximadamente dois meses para ser finalizado. A expectativa é aumentar o número de matches – termo usado quando o processamento aponta que a amostra biológica pesquisada é a mesma presente em um vestígio coletado em local de crime, como uma amostra de sangue em uma faca, ou o sêmen resultante de um crime de estupro. Essa comprovação é a prova técnica fornecida pela perícia, que demonstra a presença do acusado no fato.

Os processamentos anteriores já comprovaram a autoria de assaltos a banco, furtos e estupros . A administradora do BPG, perita criminal Cecília Matte aponta o projeto de ampliação do número de materiais cadastrados para auxiliar na elucidação de crimes. “Temos hoje no banco de perfis genéticos do RS quase mil amostras de vestígios de locais de crimes que não possuem identidade – não foram vinculados a um indivíduo. A expectativa é que as análises dessas coletas permitam identificar quem originou parte desses vestígios e auxilie na conclusão de vários inquéritos policiais em aberto ou que foram arquivados por falta de provas”, afirma.

As coletas nas casas prisionais iniciaram em 2018, e em 2019 foi firmada a parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para inclusão do material no Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Em abril deste ano, um Termo de Cooperação firmado entre Poder Executivo, Judiciário e o Ministério Público permitiu facilitar o acesso dos peritos criminais às casas prisionais e às listagens de presos com as condenações no Estado. A qualificação do atendimento pelos órgãos da Segurança faz parte do 3º eixo do RS Seguro – um programa estruturante do governo para a área da Segurança Pública. As amostras coletadas este ano devem integrar o próximo relatório da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. Atualmente, o Rio Grande do Sul está em sexto lugar no ranking nacional de coletas.

A Lei 13.964/ 2019, conhecida como Lei Anticrime, estabelece que as amostras devem ser descartadas após o processamento. Por isso, a Divisão de Genética Forense decidiu que todas as amostras serão processadas duas vezes antes do descarte. “Isso nos dará tranquilidade para apontar, com a máxima segurança, quando ocorrer algum match” explica Cecília.

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