Medo ou respeito

Certa vez eu tive medo… Um medo inexplicável. Um medo do inexplicável. Um medo que talvez fosse despropositado. Todavia, penso que, hoje, meu sentimento de prudência é maior do que o meu sentimento de aventura.
Não estou falando de coragem – da falta dela –, mas de respeito àquilo que, às vezes, fala forte em nossa consciência, para que ajamos com prudência. Sexto sentido? Não sei…

Todos nós, quando crianças, em alguma situação, até mesmo na escola, ouvimos de um amiguinho maior, das séries mais avançadas, ou de um irmão mais velho, um primo, um tio, tanto faz: “Não precisa ter medo de mim; é só me respeitar!”.

Tal expressão vinha sempre depois de um comentário, uma brincadeira, uma piada mais forte ou até mesmo uma entrada mais dura no futebol. Aquele bullying que para nós nem bullying era, mas situações corriqueiras do dia a dia que, na nossa visão, não passava de brincadeira. E não passava mesmo. Tais brincadeiras, hoje, não mais são brincadeiras, não sei se porque as pessoas tornaram-se menos tolerantes, mais fracas, menos preparadas para a vida ou se nós é que não nos dávamos conta de que aquilo não era uma simples brincadeira.

Eu prefiro acreditar que eram outros tempos e que nós éramos mais preparados. Aliás, esse pensamento é o mesmo que me leva a crer que, talvez, em outras épocas, tempos atrás, eu não teria medo de seguir adiante. Eu seguiria até o destino final, sem pestanejar. Afinal, o que poderia acontecer? Dentro do meu carro, sozinho, seguindo?
Por outro lado, sempre fui uma pessoa temente a Deus, sabendo que Deus está em todas as coisas. E que Deus nos manda sinais em todas as coisas. Aquilo foi, então, um sinal de Deus para eu não prosseguir? Aquilo foi um aviso para eu retroceder, voltar atrás, pensar melhor?

Quiçá tenha sido só um aviso, uma lembrança de que eu não sou imortal. Eu sei que não sou imortal. Muito antes pelo contrário. Cada vez mais me convenço que não tenho medo de morrer. Vivendo, morremos um pouquinho todos os dias… E está tudo bem! Essa é a ordem natural das coisas. Porém, não precisamos desafiá-la. Não provaria nada ao desafiar a morte. Ou melhor, provaria sim! Provaria uma grande inconsequência da minha parte. Provaria, quem sabe, que eu não aprendi nada da cartilha até agora…

Pensando melhor, o que senti não foi medo. Com um entendimento melhor, creio que o que eu senti talvez tenha sido um arroubo de responsabilidade, respeitando o desconhecido.

A verdade é que, medo ou respeito, tenho certeza de que foi esse sentimento que me trouxe de volta para casa, são e salvo!

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