Mesmo com retomada, Bento ainda tem mais de 5 mil cirurgias eletivas na fila

A demanda por atendimento médico e internações cresceu assustadoramente em todas as partes do mundo durante a pandemia da COVID-19. Por conta do novo cenário e das incertezas causadas pela nova doença, municípios e hospitais precisaram se reorganizar para garantir o atendimento de todos os pacientes críticos. Em Bento Gonçalves, o Hospital Tacchini optou pela redução de cirurgias eletivas em dezembro do ano passado, reagendando parte dos procedimentos. Já por parte do município, nos atendimentos SUS, as cirurgias não urgentes foram suspensas entre abril/julho do ano passado e, novamente, em dezembro, com o intuito de aumentar os leitos vagos para atendimentos de pacientes acometidos pela COVID-19.

Neste ano, novas ondas da pandemia levaram o Hospital Tacchini à suspensão total dos procedimentos em março e maio, após um pequeno período de retomada. Isso porque as estruturas que estavam sendo utilizadas para realização dessas cirurgias não urgentes precisaram ser adaptadas para receber pacientes de média e alta complexidade, devido à lotação na UTI registrada no período.

Nos últimos meses, com a redução dos casos e das internações, os procedimentos foram novamente retomados. De acordo com a secretaria de Saúde,  Tatiane Fiorio, as cirurgias consideradas “de brevidade” não pararam. Já os demais procedimentos, no volume anterior à pandemia, começaram a retomar de forma gradual em agosto. 


Imagem ilustrativa. Crédito: Unsplash
 

Entretanto, as filas ainda são grandes para os pacientes SUS. Conforme dados da secretaria, até o dia 21/08, último balanço divulgado, havia 5.474 procedimentos cirúrgicos em espera, nas mais diversas especialidades: bucomaxilo (12); cabeça e pescoço (72); geral (986); ginecologia (383); ortopedia (2.108); otorrino (827); pediátrica (50); plástica (74); proctologia (130); torácica (29); urologia (283) e vascular (520). 

No Tacchini, os dados repassados pela assessoria dizem respeito ao número de procedimentos realizados, entre cirurgias e exames, entre 2019, 2020 e até agosto 2021. Dessa forma, não é possível saber quantos procedimentos estão na lista de espera. Além disso, o número de cirurgias realizadas, por exemplo, não discrimina as eletivas, sendo divididas entre cirurgias de pacientes internados e cirurgias ambulatoriais. Mesmo assim, é possível ter noção da redução no número de procedimentos entre um ano e outro. 

No caso das cirurgias ambulatoriais, por exemplo (de pacientes não internados), o número reduziu de 15.039 em 2019 para 14.266 em 2020, cerca de 5%. Até agosto deste ano, o dado é de 8.814 cirurgias realizadas. Mas a principal queda está na realização dos exames. Na especialidade de radiologia, por exemplo, a queda foi de 25%. Para os exames de eletrocardiografia, a queda foi de 26% entre 2019 e 2020. Nos exames de oftalmologia, o número foi reduzido de 16.912 em 2019 para apenas 1.958 em 2020, cerca de 88%.

Conforme a secretária da Saúde de Bento, Tatiane Fiorio, o alto número de procedimentos em espera se deve ao quantitativo represado ao longo dos meses, quando as cirurgias eletivas foram totalmente suspensas. Questionada sobre a quantidade de cirurgias em espera antes da pandemia, ela comenta que algumas especialidades chegaram a ter filas “bastante reduzidas”. “Agora estamos retornando ao volume que estávamos realizando antes”, afirma. Mensalmente, a secretária revela que são realizados, “no mínimo”, 55 procedimentos eletivos, “fora as urgências e emergências”. Os procedimentos de média complexidade encaminhados pelo município são realizados no Tacchini. Já aqueles de alta complexidade, o paciente é encaminhado para o hospital de referência, conforme a especialidade. 
 

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