Moradora de Bento já visitou 61 países com seu filho. “Eu conheci a maternidade viajando”

Desde seus primeiros dias de vida o pequeno viajante Felipe Pegoraro embarcou em uma jornada de muita diversão, descobertas e amor junto à mamãe Cláudia Ferraz Rodrigues Pegoraro e ao pai Marlon Sandri Pegoraro

Fotos: Reprodução/Felipe, o pequeno viajante

A história começa ainda na década de 1970, quando Cláudia Ferraz Rodrigues Pegoraro nasceu, na cidade de Jaguarão. Ainda novinha, passou a apreciar cada viagem feita em família – perto ou longe, na cidade, no campo ou na praia. Aos 17 anos, um intercâmbio de um ano nos Estados Unidos trouxe à tona uma certeza que já existia dentro de si: a paixão pelo mundo. A partir de então, todas as economias e todo o tempo livre disponível em sua rotina eram destinados a viajar. Foram cerca de 30 países europeus visitados logo em seu primeiro mochilão.

Em 2001, as aventuras passaram a ficar ainda mais divertidas com a companhia do então namorado Marlon Sandri Pegoraro. O amor foi tão forte – um pelo outro e pela estrada – que os dois decidiram se casar um ano depois. A lua de mel foi em Fernando de Noronha, na casa de pescadores. E após a primeira grande viagem – um mochilão pela África –, o casal embarcou em uma verdadeira jornada de descobertas. Foram mais de 40 países visitados até a chegada do pequeno Felipe em maio de 2009. “Ficávamos adiando ter um filho porque achávamos que, quando ele nascesse, teríamos que parar de viajar”, recorda Cláudia.

Hoje morando em Bento Gonçalves, a promotora de justiça afirma que nunca esteve tão equivocada. Decidida a manter as viagens mesmo com a criança, Cláudia e o parceiro, que atualmente trabalha como policial rodoviário federal em Bento, iniciaram a nova vida de aventura a três de forma tranquila. Com apenas dez dias, o pequeno Felipe já conheceu o Uruguai. Aos três meses, a família viajou a Nova Iorque, nos Estados Unidos, e seguiu de carro até o Canadá. Foi então que Cláudia percebeu que todos os receios em relação a viajar com crianças eram, na verdade, tabus. “Foi uma viagem muito tranquila e divertida. Fomos nos adaptando e percebendo que uma criança dá o mesmo trabalho em Paris ou em Bento. Eu conheci a maternidade viajando”, revela.

Felipe, o pequeno viajante

Logo nas primeiras viagens com o filho, Cláudia percebeu a dificuldade de encontrar informações na internet sobre viajar com crianças. “Não existiam blogs como existem hoje, muito menos em família”, recorda. A fim de desmistificar as aventuras de pais pelo mundo com filhos pequenos, a promotora decidiu criar o blog que pulsa forte até hoje: “Felipe, o pequeno viajante”.

Por lá, são relatadas as mais diversas experiências já vividas pela família com o Felipe, hoje com 13 anos. Somando as experiências anteriores ao casamento e à maternidade, Cláudia já percorreu 89 países. “O blog é um verdadeiro álbum de fotos e memórias da família. Todas as viagens estão lá. Se não fosse por ele, teríamos nos esquecido de metade de tudo que já vivemos”, reflete.

E o pequeno viajante, literalmente, cresceu na estrada e nos ares. Foi em Bogotá, na Colômbia, que o pequeno aprendeu a caminhar. Já o aniversário de dois anos foi celebrado em um trem transmongoliano, em uma longa viagem de São Petersburgo, na Rússia, até Pequim, na China. Foram quase 30 países desbravados com motorhomes, pela Europa e pela Oceania, por exemplo. Acampamentos na Namíbia, viagens de carro pelos parques nacionais da Patagônia e muitos ursos pelo Alaska e Canadá.

“Nunca tivemos dificuldades. Se tem criança no Alaska, vai ter leite e fraldas. Onde tem criança, vai ter tudo que precisa. E essas viagens deram tantos anticorpos para ele. Sempre falo que essa será a melhor herança que iremos deixar para o Lipe. Ele nunca adoeceu, é uma criança muito saudável”, comenta a mãe.

A única adaptação necessária para viajar com o pequeno foi em relação às acomodações. Antes, o casal costumava ficar em albergues mais baratos, onde dividiam quarto e banheiro com outras pessoas. Mas na primeira volta ao mundo, em uma parada em Londres, na Inglaterra, Lipe precisou ir ao banheiro diversas vezes durante a noite. “E nós estávamos em um hotel com banheiro compartilhado. Foi aí que percebemos que precisávamos, pelo menos, de um banheiro no quarto”, conta. “Passamos a viajar um pouco mais devagar e com mais conforto para o bem-estar dele”, complementa.

Atualmente, devido aos estudos de Lipe, viajar em família ficou um pouco mais difícil. Na viagem ao Alaska, por exemplo, Cláudia recorda que o filho acabou perdendo uma semana de aula. “Isso foi ruim para ele. Ele está no oitavo ano e gosta da escola, gosta dos colegas”, comenta. “E também com a pandemia, nós estamos viajando conforme dá. Quando abre uma fronteira a gente vai. E também temos feito algumas viagens que não são adequadas para crianças. Em novembro do ano passado, por exemplo, fizemos uma trilha no Nepal, até o acampamento base do Everest. É uma viagem que não pode levar menores de 16 anos por causa da altitude”, explica.

Nas últimas semanas, Cláudia e o marido estiveram em uma viagem cheia de descobertas pelo Irã. O casal busca conciliar as viagens aos períodos de férias, o que também dificulta a companhia de Lipe. No momento, em período de provas, o filho ficou em Bento junto às avós, mas não deixa de acompanhar de perto as aventuras dos pais e já se mostra ansioso para a próxima expedição. “O que eu noto de diferente no Lipe é que ele é bem despachado, bem independente. E acho que isso se deve ao tipo de criação que ele teve”, reflete. Conforme a mãe escreve em seu blog, “o maior de todos os aprendizados que uma criança pode ter numa viagem é a percepção e a noção de que não estamos sozinhos no mundo; de que o mundo é muito maior que o nosso umbigo, a nossa casa, a nossa escola, a nossa cidade e o nosso país”.

Por fim, a mãe viajante reforça que a maternidade não mudou seu espírito aventureiro. Pelo contrário, trouxe um novo sentido às aventuras. “Nós somos a prova viva de que não, um bebê não é capaz de arruinar uma carreira de viajante”, afirma Cláudia em um dos posts do blog, “10 conselhos de uma mãe de muitas viagens”. E tendo como pano de fundo uma cantoria suave vinda de uma mesquita no Irã – ao lado do hotel onde o casal estava instalado ao conversar com o SERRANOSSA – a mamãe corajosa e inquieta deixou sua última reflexão: “temos que conhecer os locais de coração aberto, sem preconceitos. Ir dispostos a encontrar o que há de melhor em cada lugar. Com vontade de aprender, de conhecer pessoas e de trocar ideias. O mundo é grande e maravilhoso”, finaliza.

Quem quiser acompanhar de perto as aventuras da família pode acessar o blog www.felipeopequenoviajante.com, o Facebook (Felipeopequenoviajante); o Instagram (claudiarodriguespegoraro); o Twitter (pequenoviajante); e o canal no Youtube (marlonpegoraro76/vídeos).

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