Moradores de Bento demonstram preocupação com focos de Aedes aegypti

Conforme a prefeitura, atualmente são 87 focos identificados, mais que o total registrado em todo 2021. Denúncias apontam infestações de mosquitos na maioria dos bairros da cidade. Já são oito óbitos por dengue no RS

Registro microscópico feito por morador de Bento no bairro Centro. Foto: arquivo pessoal

*Matéria atualizada no dia 27/04

Na semana passada o Rio Grande do Sul entrou em alerta máximo contra a dengue. Isso porque mais três óbitos foram confirmados no Estado, chegando ao total de oito mortes neste ano. O número de casos já ultrapassa os 13 mil. Destes, 142 foram identificados na 5ª Coordenadoria Regional de Saúde (5ª CRS), que contempla 49 municípios da região de Caxias do Sul.

Em Bento Gonçalves, a prefeitura afirma que 87 focos de Aedes aegypti já foram encontrados apenas neste ano. O número é maior do que o total de focos identificados em todo o ano passado. Foram 76 registros em 2021. Ainda, há um caso de dengue confirmado no município, que teria sido importado. Outro, anteriormente divulgado pela prefeitura por ter tido confirmação em laboratório particular, ainda aguarda contraprova do Laboratório Central de Saúde Pública do RS (Lacen). Até a quarta-feira, 27/04, 26 amostras seguiam em análise.

As denúncias que chegaram até o SERRANOSSA apontam infestação de larvas e mosquitos na maioria dos bairros da cidade. No Santa Marta, uma moradora tem demonstrado extrema preocupação com a sua saúde e a saúde de sua família. Aos fundos de sua residência, um córrego de água parada parece ser outro foco de Aedes aegypti, ainda não confirmado pelo Poder Público. “Moramos aqui há dois anos e, desde então, estamos denunciando a situação. Alguns representantes da prefeitura estiveram aqui, mas só vimos fazerem fotos e vídeos. Não resolveram o problema”, relata a moradora. “Estamos muito preocupados. Moramos em quatro pessoas, incluindo uma criança. Quando chegamos em casa não podemos ficar de roupa curta. Temos que passar repelente e inseticidas. Mas não resolve nada. Não podem esperar mais pessoas morrerem para fazerem alguma coisa”, apela.  

No Santa Helena, a colaboradora de uma empresa denuncia a situação de uma residência localizado atrás do empreendimento. “Tem muito entulho. Fogão, colchão, baldes e várias outras coisas”, relata.  No local, a colaboradora informa que uma equipe da prefeitura esteve em visita, mas ainda não informou aos residentes se realmente se trata de mais um foco. “Tinha várias larvas de mosquitos, mas não sabemos se é de Aedes aegypti. De qualquer forma, estão todos preocupados. As pessoas não se conscientizam”, lamenta.

No Licorsul, um terreno próximo à empresa Rinaldi também tem levantado o alerta dos moradores. Segundo eles, ao longo dos últimos anos já foram feitas denúncias ao Poder Público sobre o local, que acumula uma série de entulhos. Nas residências do entorno, moradores já afirmaram estarem percebendo o aumento de mosquitos.

Na área central da cidade também há relatos. Um empresário revela ter conseguido fazer registros microscópicos do mosquito em sua loja, localizada no Palazzo Del Lavoro. “Minha loja está infestada de mosquitos”, afirma. Apesar de a prefeitura já ter feito vistorias no local, nenhum foco teria sido localizado.

A bióloga Juliane Rossi reside em um condomínio no bairro Cidade Alta. Por lá, alguns focos já foram identificados. “Desde que me mudei há sete anos sempre encontrava um mosquito que outro. Mas nos últimos dois anos a frequência aumentou. Ontem mesmo [24/04] matamos quatro aqui em casa. Nunca tinha visto tantos na área urbana”, revela. Neste ano, equipes da vigilância sanitária teriam visitado o local e, com o auxílio da bióloga, localizaram diversas larvas em ralos antigos, em frente ao prédio. “A recomendação é que a mulher da limpeza coloque água sanitária para limpar os ralos e ela nos garantiu que está fazendo isso. Mas continuamos encontrando mosquitos. Acredito que tenham outros focos nos arredores”, comenta.

Registro de um dos mosquitos encontrados no apartamento de Juliane. Foto: arquivo pessoal

Na opinião da bióloga, o aumento dos focos está atrelado a uma série de fatores, mas principalmente aos maus-hábitos das pessoas. “Sempre tivemos focos, mas nunca havia chegado tão perto da gente. Acabou que os cuidados preventivos foram deixados de lado. Acredito que o desequilíbrio ecológico, que só aumenta, mais a falta de cuidado com o descarte de resíduos acumuladores de água e a falta de bom senso da sociedade em pensar no coletivo causou isso”, lamenta a profissional.

Os focos de mosquitos devem ser denunciado ao Poder Público por meio do canal ‘Fala Cidadão’: 0800.979.6866 – [email protected].

Confira algumas dicas para evitar o aparecimento do mosquito:

– O lixo reciclável deve ser encaminhado para coleta de lixo em sacos bem fechados.

– Garrafas devem ser guardadas de boca para baixo

– Tonéis de coleta de água da chuva devem permanecer muito bem tampados e vistoriados semanalmente para verificar presença de larvas.

– Caixas de água de uso da casa devem permanecer hermeticamente fechadas.

– Pneus devem ficar em áreas cobertas ou encaminhados para coleta. Piscinas devem ser tratadas durante todo ano.

– Vasos de flores e floreiras devem ficar sem pratos.

– Plantas cultivadas em água devem ser transferidas para terra.

– Lajes de casas devem ter escoamento e ralos devem ter tampa protegida por tela anti mosquito ou plástico.

– Onde a presença de mosquitos é constante deve-se usar repelentes de corpo e de tomada.

Sobre o mosquito

O Aedes aegypti tem em média, menos de 1 centímetro de tamanho, é escuro e com riscos brancos nas patas, cabeça e corpo. Com hábitos diurnos, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer, o inseto (apenas a fêmea) se alimenta basicamente de sangue humano.

A reprodução acontece em água parada (limpa ou suja), onde os ovos são depositados.

Os principais sintomas da dengue são:

Febre alta (maior que 38.5°C) de início abrupto e que dura entre 2 e 7 dias

Dores musculares intensas

Dor ao movimentar os olhos

Mal-estar

Falta de apetite

Dor de cabeça

Manchas vermelhas no corpo

Ao apresentar os sintomas, é muito importante procurar a Unidade de saúde mais próxima, para diagnóstico e tratamento adequados.

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