Mortes pela COVID-19 em Bento têm queda de 68% em agosto

Bento Gonçalves registrou uma redução expressiva nos óbitos de pacientes com a COVID-19 no mês de agosto. Foram 13 mortes confirmadas no período, ante 41 registradas em julho – uma redução de 68%. Agosto foi o mês com menor registro de óbitos desde fevereiro deste ano, quando 11 pessoas perderam a vida para o vírus. No mesmo período do ano passado, o município havia contabilizado 25 mortes. 

Questionada sobre os motivos que possam explicar essa redução significativa de um mês para o outro, a secretária de Saúde de Bento, Tatiane Fiorio, cita um “conjunto de fatores”. Entretanto, ela destaca a imunização completa das pessoas com comorbidades, um dos grupos mais atingidos pelo Coronavírus. “Começamos a vacinação no começo do ano com os idosos e profissionais da saúde. O terceiro grupo foi o das pessoas com comorbidades, sobre o qual há maior incidência de óbitos. Então fomos vacinar essas pessoas em abril, sendo que a segunda dose foi aplicada apenas em junho/julho”, recorda. “Considerando o período de 15 dias após a vacinação para garantir o efeito total da vacina, nós entramos no mês de agosto”, explica. 

Em junho e julho, o município havia registrado 47 e 41 óbitos, respectivamente. Além da imunização ainda não completa, a secretária acredita que esse alto número possa ter sido causado pelo aumento da circulação das pessoas e pelo período de inverno. “Mas o motivo principal dessa diferença entre agosto e os meses anteriores foi o sistema imunológico. As duas doses completas nos grupos prioritários”, afirma. 


Foto: Júlia Milani/SERRANOSSA
 

Mas antes mesmo do resultado positivo do mês de agosto, profissionais da saúde já vinham percebendo a eficácia da vacina. Conforme o coordenador médico da UPA 24h de Bento Gonçalves, Amauri Vargas, desde o início da vacinação nos mais velhos, se pode perceber um aumento dos casos de internação entre os mais novos, ainda não vacinados. “Em sua maioria os leitos da UPA eram ocupados por pessoas que ainda não tinham sido contempladas com a vacinação ou que haviam se recusado a tomar a vacina”, relata. “Por isso não existe mais dúvidas, a vacina protege sim”, afirma. 

No Hospital Tacchini, a infectologista Nicole Golin relatou em coletiva de imprensa na semana passada que, “coincidentemente ou não, todos os pacientes sem comorbidades que precisaram de recurso de leito crítico não estavam vacinados”. No geral, Nicole informou que 40% das pessoas que entraram na UTI nas últimas semanas não estavam vacinadas. Além disso, a taxa de letalidade das pessoas internadas em UTI apresentou redução após a vacinação: dos 40% registrados em julho, a taxa baixou para 17% em agosto. “Isso somente reforça a fala de que, a partir do momento em que temos a medida preventiva disponível, ela não pode ser ignorada”, ressalta. 

No Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul registrou em agosto 697 óbitos relacionados à COVID-19, o menor número desde junho do ano passado, quando houve 440 mortes. Na comparação com julho, quando ocorreram 1.677, foram quase mil mortes a menos no Estado, um recuo de 59%. 

Além disso, o total de leitos de UTI livres no Estado nesta quarta-feira, 01/09, 1,4 mil, é o maior na pandemia. Um mês atrás, eram 1.244. Na comparação com os últimos 90 dias, o número mais do que triplicou. No dia 3 de junho, havia 457 leitos de UTI disponíveis. Atualmente, a taxa de ocupação é de 58,1%.

Até terça-feira, 31/08, o Estado havia vacinado 7,62 milhões de pessoas com a primeira dose e 3,84 milhões com a segunda dose. No total, são 11,76 milhões de vacinas aplicadas. Também são imunizados desde julho adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades. A partir do próximo dia 15, deve começar a aplicação da dose de reforço na população acima de 70 anos e em pessoas com alto grau de imunossupressão.
 

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