“Movimento para que se sintam pessoas”, destaca organizadora de projeto literário com moradores de Bento

Seja na Casa de Passagem ou no CREAS, a iniciativa quer levar literatura e paz para pessoas que visitam os espaços e enfrentam seus vícios

Fotos: Lucas Marques

“Sou Visível”, um projeto da Biblioteca Municipal Castro Alves e da secretaria de Cultura, juntamente com a secretaria de Esportes e Desenvolvimento Social (SEDES) e o CREAS, quer dar a oportunidade para que pessoas invisibilizadas na sociedade ganhem o direito a um bem precioso: a literatura. O objetivo da proposta é ampliar o acesso à leitura, ao livro e à interação cultural para pessoas em situação de rua. Os encontros já começaram e serão 12 no total. Realizados na Casa de Passagem ou no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), as ações vão desde leitura de contos, crônicas, letras de músicas e audição das mesmas até cine-debates.

Para a orientadora educacional da Biblioteca Municipal, Cláudia Refatti Benato, o projeto cumpre um papel importante. “Proporcionar o prazer da leitura às pessoas que talvez nunca tenham entrado numa Biblioteca, esse é o motivo pelo qual criamos o projeto itinerante ‘Sou Visível’, com o qual buscamos levar o gosto pela leitura para quem não tem acesso aos livros”, afirma.

A referência base para a iniciativa é “História para quem tem história”, que contempla grupos da Melhor Idade e traz como dinâmica de trabalho os Círculos de Construção de Paz que possibilitam a integração dos membros. Dessa forma, o projeto foi adaptado conforme as necessidades das atividades propostas.

O SERRANOSSA esteve acompanhando um desses encontros do projeto “Sou Visível” na quarta-feira, 06/07. Durante quase uma hora reunidos, os participantes e as equipes da Casa de Passagem e da Biblioteca puderam fazer trocas, mesmo que singelas. Em uma das atividades, uma espécie de meditação, eles foram desafiados a vislumbrarem com a mente um lugar que gostariam de estar. Depois disso, usaram as técnicas do desenho e da escrita para comunicar que lugar era esse. Naquele momento, eles puderam soltar a criatividade e explorar o que suas mentes apresentavam.

Alguns desenhos retratavam a natureza e a “casa”. Eles não se referiam à casa de passagem, que mesmo com boa estrutura e acolhedora, não é a casa deles. Eles pensavam em uma casa própria, aconchegante e que foi tratada como “santuário”. Em seguida, cada um teve tempo para explicar o que aquele desenho significava e como poderia torná-lo realidade. Um dos participantes destacou que a cachoeira desenhada lhe trazia paz, assim como estar em casa. Ele tem em mente que logo vai ter seu espaço. “Eu só ‘tô’ aqui de passagem e logo vou estar no meu ‘canto’”, planeja. E, segundo ele, para isso acontecer, depende exclusivamente de si, principalmente, ao se livrar dos vícios e ter consciência sobre eles.

De acordo com Cláudia, aquele momento também atua como uma forma de mostrar e dar forças aos participantes de que existem possibilidades para melhorar de vida. “Eles conseguem pensar e ver outra vida, uma melhora, se fortalecer mentalmente, espiritualmente”. Nos encontros, as conversas, leituras e demais atividades vão ter um tom simples, mas poderoso para quem precisa de ajuda e afeto. “Sempre dê motivação, dê empoderamento, que faça com que eles tenham um olhar diferente e se sintam pessoas”, pontua Cláudia.

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