Mudanças no trânsito acarretam reclamações

Algumas modificações visando a melhorias no fluxo de trânsito em locais de maior movimento, geralmente, causam reflexos à população. Apenas vivendo a rotina de um frequentador do local, ou mesmo de um morador para entender as consequências diárias da alteração.

Na avenida São Roque, em Bento Gonçalves, não é diferente. Não apenas moradores, mas comerciantes se dizem bastante afetados pelas mudanças no trânsito. Rose Pelicer, sócia-proprietária de uma lanchonete, instalada há 23 anos no mesmo local, diz que o fato de a prefeitura ter impedido o estacionamento em frente ao seu estabelecimento reduziu em 50% a 60% o movimento. “Não estamos contra as mudanças no trânsito, porque são realmente necessárias, devido ao fluxo intenso de veículos em alguns horários. O problema é que a prefeitura fez o estudo técnico da modificação no trânsito, mas não avaliou o que poderia acontecer com os comerciantes”, ressalta. “Devido a esta falta de respeito e consideração, por sermos comerciantes aqui há mais de 20 anos, construindo o bairro e colaborando com o município, quanto mais eles disserem que não irão fazer nada, mais vamos lutar”, protesta.

Rose informa que, a pedido do prefeito em reunião recente, um abaixo-assinado dos comerciantes prejudicados será encaminhado em poucos dias à Câmara de Vereadores. “Queremos uma alternativa, ou que volte a faixa branca onde é possível, ou que seja permitido estacionar em alguns horários específicos, fora do período de maior pico de trânsito”, argumenta. “Se, após a entrega deste documento, em 15 dias, não obtivermos uma resposta, realizaremos um manifesto de paralisação da avenida”, enfatiza.

Além de estar instalada numa esquina, sem vastas possibilidades de estacionamento aos clientes, a loja de Anádia Gugel sofre, agora, com a queda no movimento. “Uma vaga aqui é disputada por, pelo menos, três comerciantes”, afirma a proprietária da loja de confecção. “Além disso, houve a alteração do ponto de táxi justamente para a vaga livre que teria em frente à minha loja”, acrescenta. A lojista, que tem o ponto no mesmo local também há 23 anos, fez diversas reclamações, inclusive na reunião dos comerciantes com representantes da secretaria de Transportes, realizada recentemente. “A rua não tem saída, recebe constantemente caminhões que fazem carga e descarga no supermercado, tem padaria, creche, moradores que são proprietários de carreta e caminhões que não têm espaço para manobrar e, agora, recebeu também um ponto de táxi”, avalia. As modificações no trânsito foram feitas, segundo ela, sem consultar moradores e comerciantes locais. “Uma funcionária da prefeitura, inclusive, me disse que não sou dona da rua para reclamar”, acrescenta.

De acordo com a arquiteta Rosana Guarese, da secretaria de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana, foi feita, no local, a aplicação de um projeto, “a pedido da comunidade, para melhorar o fluxo da avenida”, em fevereiro. “Ficamos desde o fim do ano passado analisando, estudando para fazer uma proposta técnica para resolver a demanda que foi solicitada, que eram as reclamações da São Roque estar parada, ter problemas de trânsito nos horários de chegada dos alunos à UCS e ao Cenecista”, elenca. Para atender a tal necessidade, foi realizada, segundo ela, a contagem de fluxo de veículos e a análise do local. “Foi feita, então, uma proposta global, desde a decida da caixa d’água, na [rua] Raul Moreira, até a rotatória dos trilhos [que liga a avenida São Roque à rua Guilherme Fasolo], trabalhando este trecho como um todo, não [de maneira] pontual, fazendo uma proposta técnica”, relata.

Quanto à retirada das vagas de estacionamento, Rosana é enfática ao afirmar que não existe nenhum tipo de trabalho pontual. “Fiz um trabalho conjunto, em que, em algumas partes, para se fazer raio de giro, para melhorar a questão do fluxo em determinado trecho, em que não há uma rua paralela, e nem a possibilidade de ampliação da via, não houve outra possibilidade a não ser retirar o estacionamento”, detalha. “O trabalho executado, todo de uma vez só, em fevereiro, atingiu o objetivo: melhorar o fluxo, principalmente na saída tanto da UCS quanto do Cenecista”, conclui. “Como o maior problema estava no sentido bairro-centro, tentamos fazer com que estas vagas de estacionamento que foram retiradas deste lado, fossem, de alguma forma, supridos no sentido inverso, dentro do possível”, esclarece.

Andreia Dalla Colletta

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