Novo Futuro aposta no diálogo para resolver os problemas do condomínio

Quase cinco anos se passaram desde a inauguração do residencial Novo Futuro e alguns problemas registrados naquela época ainda persistem. O principal deles é a inadimplência, que recentemente ocasionou o corte d’água por cinco dias. De acordo com o síndico, Luiz Jardim, uma das alternativas apontadas para resolver o impasse – causado, reconhece, pelos próprios moradores ao abandonar, vender ou locar o apartamento e deixar de pagar as taxas de condomínio – é a conscientização e o diálogo. O local passará a contar com círculos restaurativos.

Na última semana, entidades interessadas em tratar sobre as situações que envolvem os moradores do residencial reuniram-se na sede do Ministério Público de Bento Gonçalves. O encontro foi promovido por solicitação do síndico, especialmente também em razão do alto índice de desentendimentos envolvendo adolescentes. De acordo com a coordenadora do Núcleo de Justiça Restaurativa, Cláudia Refatti Benato, essa será uma experiência nova, especialmente pelo grande número de famílias. No município, o trabalho já é desenvolvido em algumas escolas, na Promotoria em situações infracionais praticadas por adolescentes e também no presídio, trabalhando na prevenção e resolução de conflitos.

No ano passado, alguns encontros já foram realizados no Novo Futuro e o objetivo é não apenas retomar, mas fortalecer o trabalho. Em um primeiro momento, a ação envolverá as lideranças de cada bloco, para, posteriormente, estender a atuação para os demais moradores. Cláudia explica que é uma espécie de “terapia de grupo”, onde se busca a solução conjunta para os problemas com base no diálogo. “Acredito muito nesse trabalho. Queremos fortalecer as pessoas, para que elas se responsabilizem por seus atos e se empoderem do espaço”, resume. Ela defende que o trabalho deve ser permanente, capacitando os líderes para que se tornem facilitadores desses encontros.

Luiz ocupa o cargo de síndico há dois anos e meio. Ele explica que o condomínio está com uma ação judicial em andamento para responsabilizar a Caixa Econômica Federal pela regularização da inadimplência, que hoje gira em torno de R$ 1 milhão. Devido ao não pagamento das taxas por alguns condôminos, alguns serviços, como a vigilância, precisaram ser extintos. As dívidas antigas com Corsan já estavam parceladas – 50 prestações de R$ 6 mil cada. Por se tratar de famílias de baixa renda, o condomínio conseguiu junto à companhia a aplicação da tarifa social, o que reduziu a conta em cerca de 60%.

No caso do mais recente corte d’água, os moradores se mobilizaram para reunir o valor que faltava para o pagamento. As incertezas pairam também o vencimento da próxima conta, no final deste mês. Além da conscientização para que as taxas do condomínio sejam pagas, outra medida que poderia resolver o problema da água é medição individual do consumo. O síndico explica que há medidores nos apartamentos apenas para a água fria. Os prédios têm aquecedor solar que é usado nos chuveiros, mas, neste caso, a conta é considerada coletiva, pois não há a entrada individualizada em cada residência. Por isso, segundo ele, o Novo Futuro tem uma conta única junto à Corsan. “Não adiantaria cortar apenas a água fria”, explica. É possível adequar as instalações, mas a obra está orçada em cerca de R$ 1 milhão. A reforma seria delicada, já que é preciso mexer em todo o encanamento, telhados e rede elétrica.

Saiba mais

O Residencial Novo Futuro foi construído através do Programa Minha Casa, Minha Vida, financiado pela Caixa Econômica Federal. O empreendimento, inaugurado em novembro de 2011, está localizado na rua Bramante Mion, no bairro Ouro Verde. O residencial destina-se a famílias em diversas situações, priorizando as que tenham idosos, com pessoa com deficiência, são chefiadas por mulheres ou vivem em situação de risco. São 20 prédios, totalizando 420 apartamentos, com área de 44m² cada um. O valor total da obra, uma parceria entre a prefeitura, Caixa e governo federal, foi de R$ 21 milhões.

(FOTO: Davi Da Rold/Divulgação)

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