O 1% de chance que traz força e esperança à rotina de Karine Belarmino e sua família

Em maio, Karine sofreu um grave acidente de moto que a deixou em uma cadeira de rodas. Mas a fé e o amor de sua família têm a auxiliado a contrariar as expectativas dos médicos e a apresentar resultados animadores dia após dia

Fotos: arquivo pessoal

Com a formatura marcada e estudando para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a bacharel em Direito Karine Belarmino, de 25 anos, já planejava minuciosamente seu futuro ao lado do marido Mateus Xoinha. Mas seus planos tiveram que ser temporariamente interrompidos após um grave acidente de motocicleta em maio deste ano. Assim como toda sua família, Karine sempre foi apaixonada por motovelocidade e tinha iniciado em competições na região havia cerca de um ano. Durante um treino em Farroupilha, a queda fez com que fraturasse gravemente a coluna. “Meu pai já havia alertado meu marido que minha moto estava trepidando e que eu poderia cair. Mas quando foi falar para mim, eu já tinha caído”, conta.

Karine foi levada ao hospital de Farroupilha com traumatismo craniano leve, mas ainda sem suspeita da paraplegia. “Minha família estava bastante preocupada com a minha cabeça, porque meu capacete voou na hora da queda”, relata. A gravidade de seu quadro de saúde, entretanto, estava na lesão que teve na vértebra T6, que acabou comprimindo a medula óssea. Após o primeiro procedimento cirúrgico ainda no dia do acidente em Farroupilha, a jovem foi transferida para o Hospital Tacchini em Bento, onde ficou na UTI por quatro dias. “Eu perguntava por que não estava sentindo minhas pernas, mas as enfermeiras me diziam que era porque estava com muita medicação”, relata. Foram dias de dores profundas e muitas dúvidas.

De alta para o quarto o médico confirmou suas suspeitas: “a possibilidade de voltar a caminhar é pouca”, respondeu o profissional. A confirmação da paralisia trouxe um sentimento de revolta e tristeza que tomaram os dias de Karine por cerca de uma semana. “Eu só dizia que, quando chegasse em casa, iria tomar remédios para me matar”, conta a jovem.
Foi então que sua família começou a pesquisar uma série de tratamentos e alternativas em todo o Brasil, a fim de entender suas possibilidades. “Meu marido falou para os médicos que, se existisse 1% de chance de eu voltar a caminhar, eles dariam o máximo. E a resposta foi positiva”, recorda. A partir de então, Karine e sua família entraram em uma luta diária e em uma corrente de fé para garantir que tudo que esteja a seu alcance, seja feito.

Foto: arquivo pessoal

Rotina de fisioterapias, orações e força de vontade

Após a realização de uma segunda cirurgia para descomprimir a medula óssea, Karine iniciou uma rotina de fisioterapias diárias, a fim de criar estímulos para voltar a caminhar. “A medula precisa entender que minha perna está viva”, explica. Foi um mês de tratamento no hospital de reabilitação Sarah, em Brasília, onde a jovem aprendeu a se virar na cadeira de rodas, e mais um período na clínica de fisioterapia Acreditando, em São Paulo, onde iniciou as fisioterapias voltadas ao seu caso em específico. Atualmente, Karine permanece de segunda a sexta-feira em Porto Alegre, onde faz fisioterapia na clínica Melissa Grigol, e sábados e domingos em Caxias, na Bioforce, fazendo três horas diárias de exercícios. Além disso, desde o início de sua reabilitação Karine contou com a ajuda da fisioterapeuta Priscila Sgarbi, professora do Centro Universitário Cenecista, que é especializada em neurologia. “Os médicos dizem que os dois primeiros anos são cruciais, então estou dando o meu máximo”, afirma.

E apesar de o trauma ter sido recente e de Karine ainda estar “em choque medular”, conforme os fisioterapeutas descrevem, a jovem já tem apresentado resultados positivos. “Estou tendo algumas forças, alguns estímulos estão voltando. Hoje meu joelho já estabiliza e estou conseguindo mandar a perna para frente”, conta.

Todas as pequenas e diárias conquistas, Karine atribui à fé e à força de vontade. “Tem dias que eu choro, mas logo me recomponho. Eu acredito que é Deus quem está me ajudando a ter muita força e ele opera milagres. Mas precisamos ajudar. Não posso ficar na cama esperando o dia em que vou ficar em pé. Eu preciso lutar todos os dias”, declara. “E a nossa mente controla tudo. Tu tem que se imaginar caminhando, viajando, cuidando do teu filho para ter forças”, complementa.

E a família tem sido essencial para garantir que Karine não desanime. A rotina de todos foi adaptada e tanto seu marido, Mateus, quanto seus pais, Marlene e Meio Belarmino e seu irmão Douglas Belarmino, tem dedicado seus dias a auxiliar na sua reabilitação. “Após o acidente eu até falei pro meu marido que precisaríamos terminar, porque não queria que ele passasse pelo mesmo sentimento que eu. Mas desde então ele e minha família têm feito tudo por mim”, agradece. “Todos os dias eles me estimulam e me dão força”, continua.

Foto: arquivo pessoal

Uma Karine mais forte e mais paciente

Nas últimas semanas, Karine começou a compartilhar sua rotina e suas evoluções nas redes sociais. A expectativa é que sua história inspire outras pessoas a também enfrentarem situações difíceis e inesperadas em sua vida. Mas mais do que demonstrar sua força de vontade a quem precise, a rotina de superação tem transformado diariamente Karine como pessoa. Hoje, ela afirma se enxergar como alguém mais forte e paciente. “Antes eu era muito explosiva e brigava por qualquer coisa. Então eu acredito que Deus tem sempre um propósito”, comenta.

Apesar de seus planos terem mudado completamente neste ano, a jovem acredita que eles apenas tenham ficado “um pouco para frente”. “Meus planos não morreram. Se Deus deu um ‘pause’, é porque eu tinha alguma coisa importante para aprender antes de seguir minha vida como planejado”, reflete.

Hoje, o futuro ainda é incerto, mas independentemente do que Ele reservar para si, Karine afirma que será grata diariamente por ter chances de lutar. “A fé move montanhas. Pode passar 1 ou 10 anos, a gente nunca deve perder as esperanças. O nosso tempo não é o mesmo tempo de Deus”, finaliza.

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