O que fazer quando alguém desaparece

Casos de desaparecimento de pessoas são mais comuns do que se imagina. Somente em Bento Gonçalves, entre março e abril, foram 17 situações deste tipo registradas. Apesar do susto e da preocupação, a maioria esmagadora dos sumiços é resolvida em poucas horas ou dias e costuma ter um final feliz, sem que seja necessária a intervenção da Polícia Civil, órgão responsável por investigações deste gênero.

O aparecimento da pessoa é um alívio e tanto para quem, muitas vezes, esperava pelo pior. Mas nem por isto a família deve ‘esquecer’ que um processo de investigação foi aberto para apurar o que aconteceu com o desaparecido. É importante voltar à delegacia e registrar uma nova ocorrência informando que a pessoa foi encontrada para que seja dada baixa no sistema, evitando o trabalho desnecessário dos órgãos de segurança.

O delegado titular do 1º Distrito da Polícia Civil, Leônidas Costa Reis, responsável por um dos casos de desaparecimento de maior repercussão no município – o caso Anderson Roman –, conta que são comuns ocorrências de meninas adolescentes que saem de casa para se refugiar na casa de amigos ou namorado sem avisar os pais. Também têm sido registrados com certa frequência na DPPA o desaparecimento de adultos que, na verdade, estão na casa de familiares em outros municípios e não fazem contato informando seu paradeiro.

24 horas

Segundo Leônidas, a crença de que a polícia só começa a agir depois de 24 horas do desaparecimento não é real. “Tudo depende do caso. Um adolescente rebelde que foge de casa seguidamente pode passar horas desaparecido que não gerará tanta preocupação quanto uma criança pequena que está sumida há 10 minutos ou um idoso que nunca se ausentou”, detalha. O delegado orienta a família a começar a busca em locais geralmente frequentados pela pessoa, como casa de amigos, familiares ou namorado(a) e escola, por exemplo. Depois de esgotar as possibilidades, o ideal é procurar a delegacia. “Tão logo os casos chegam ao nosso conhecimento, começamos a procura. Há casos em que a investigação sequer começa, porque a pessoa é localizada quase que imediatamente”, conta o delegado.

Descargo de consciência

Leônidas cita ainda que, infelizmente, há pessoas que utilizam a polícia como descargo de consciência. “Como se registrando uma ocorrência de desaparecimento pudesse se eximir de alguma responsabilidade pelo que a pessoa poderia fazer”, lamenta Leônidas. Atitudes deste tipo, em especial aquelas em que a pessoa registra o desaparecimento, mas não o reaparecimento, causam uma banalização preocupante. “Tomamos muito cuidado para que um caso sério não se torne apenas mais um diante de tantos que precisamos investigar, muitas vezes sem necessidade”, declara.

Casos recentes 

Dos três mais recentes casos de desaparecimento registrados em Bento Gonçalves, dois foram solucionados. Pedro Migott Maciel e Anderson Roman foram encontrados em 2010, infelizmente, mortos. O caso do jovem Cléber Giazzon, desaparecido desde 2003, na época com 17 anos de idade, continua sendo investigado.

Nesta semana a polícia intensificou buscas pelo jovem Rodrigo Brun, de 24 anos de idade. Ele foi visto pela última vez no dia 12 de maio, quando saiu da empresa onde trabalha, no bairro Licorsul, em Bento Gonçalves para retornar à sua casa, no bairro Bela Vista, em Garibaldi, onde reside com a esposa. Segundo informações da família, ele dirigia uma moto de sua propriedade. A mãe, Ivani, conta que ele e o pai saíram juntos de Bento Gonçalves, Rodrigo de moto e o pai de carro, e combinaram de se encontrar em casa, mas Rodrigo não chegou. Qualquer informação sobre o paradeiro dele pode ser repassada à Polícia Civil de forma anônima pelo telefone (54) 3462 1162.

Por onde começar a procurar

* Tente rastrear os últimos passos da pessoa desaparecida;

* Tente identificar as roupas usadas quando foi vista pela última vez, levando em consideração itens como cores;

* Entre em contato com parentes, amigos, namorados, vizinhos;

* Se você possui familiares que residam em outras localidades, tente entrar em contato eles, pois é comum que os desaparecidos se refugiem em casas de amigos ou parentes que moram em outras cidades;

* Converse com as últimas pessoas que tiveram contato com o desaparecido para avaliar a sua situação psicológica e emocional (estado de espírito) tentando obter uma possível indicação do motivo e/ou destino do mesmo;

* Entre em contato com hospitais e Departamento Médico Legal (DML) para saber se o desaparecido não sofreu algum acidente ou foi vítima de violência;

* Em caso de o desaparecido ser criança, tente identificar as roupas, se fala, se sabe indicar onde mora, sabe escrever/telefonar, se costuma ir a casa de amigos sem avisar;

* Em caso de pessoas com debilidade mental, tente informar quantas vezes já desapareceu, onde foi encontrada, se estava recolhido a algum hospital ou casa de tratamento;

* Se as tentativas de localizar a pessoa em lugares conhecidos não resolverem, procure uma delegacia de polícia para registrar a ocorrência de desaparecimento. Leve uma foto recente do desaparecido, que permita identificar as feições, cor, altura e características físicas.

Fonte: Secretaria de Segurança Pública/RS

 

Greice Scotton 

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