Operação desarticula organização criminosa que visava o monopólio do tráfico de drogas e do contrabando de cigarros no RS

Na manhã desta quarta-feira, 02/02, uma operação conjunta da Polícia Civil com a Polícia Rodoviária Federal, a Brigada Militar e Susepe foi deflagrada para combater os crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas de fogo e contrabando de cigarros no Rio Grande do Sul.

Após investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Passo Fundo e troca de informações entre as polícias, a operação Fim de Linha cumpriu 35 mandados de prisão preventiva e 73 mandados de busca e apreensão nas cidades de Passo Fundo, Panambi, Ijuí, Vacaria, Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Alvorada, Soledade e Pelotas. Também foi realizado o bloqueio de 62 contas bancárias.

Até o momento 25 pessoas foram presas. Houve a apreensão de R$ 25 mil, seis armas de fogo, 200 munições, cigarros, drogas, veículos, celulares, balanças de precisão e outros objetos.

Segundo a PRF, com a operação, foi desarticulada uma organização criminosa que havia decretado o monopólio das vendas de drogas e cigarros paraguaios, coordenando operações ilegais do interior de estabelecimentos penitenciários.

A Investigação

De acordo com a Polícia Civil, as investigações tiveram início no mês de abril de 2021 a partir de informações que apontavam que indivíduos, já conhecidos da Polícia no meio criminal de Passo Fundo/RS, como lideranças nos bairros Petrópolis e José Alexandre Zachia, haviam sido “batizados por facção criminosa” da região metropolitana de Porto Alegre, com  intensa relação comercial e territorial de ilícitos tanto em Passo Fundo, como região Norte do estado.

Em um primeiro momento, a investigação constatou que nos bairros citados havia sido decretado pelos representantes da “facção” o monopólio das vendas de drogas e cigarros paraguaios. Posteriormente, a imposição se alastrou por todos os bairros da cidade, com maior ênfase no tráfico de drogas. Foram identificados no curso do inquérito diversos traficantes locais que adquiriam drogas para revender e que prestavam contas semanalmente às lideranças de Passo Fundo.

Nesse período de investigações, a Draco apreendeu em Passo Fundo uma carga de cerca de 328.800 cigarros contrabandeados no bairro José Alexandre Zachia, avaliada em R$ 50.000. Segundo os investigadores, a venda de cigarros possui lucratividade muito atraente em comparação às drogas e, em contrapartida, menor punibilidade, levando esta prática a ser adotada como meio de fomento financeiro das organizações criminosas.

Posteriormente foram abordados pela Draco em Passo Fundo dois indivíduos “faccionados” oriundos da região metropolitana que vinham semanalmente cobrar o percentual da lucratividade ilícita que era devido às lideranças da organização criminosa. Na ação, foram aprendidos, além do veículo em que estavam, cerca de R$ 24.000 em espécie que estavam escondidos em um compartimento secreto no painel do carro.

Através de provas técnicas, a investigação conseguiu mapear toda uma organização criminosa com células nas cidades de Passo Fundo, Panambi, Ijuí, Campo Bom, Vacaria, Guaporé, Alvorada, Pelotas e Erechim.

A Organização Criminosa

Conforme a investigação, o alto escalão da organização criminosa coordena as operações ilegais do interior de estabelecimentos penitenciários do Estado, como a Cadeia Pública de Porto Alegre, a Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro, a Penitenciária Modulada de Ijuí e o Presídio Regional de Passo Fundo.

As lideranças, tanto as que estão presas como as que têm atuação local em Passo Fundo e Panambi, deliberam sobre retaliações a ações policiais ou acerto de contas com “facções” concorrentes, o que, segundo a polícia, eleva a escalada da violência na região. Conforme a investigação, os membros da organização criminosa hierarquicamente abaixo das lideranças são distribuídos em funções como distribuidores, gerentes, vendedores, coletores de dinheiros, contadores e funções operacionais.

De acordo com a Polícia Civil, o líder da organização criminosa na célula de Passo Fundo possui antecedentes por tráfico de drogas em duas ocasiões e uma por tráfico internacional de drogas. Ele também foi alvo de investigação pela Draco em 2019 e, mesmo em prisão domiciliar, teve um grande crescimento patrimonial em dois anos. Além disso, a investigação aponta que ele vem transformando o dinheiro ilícito em negócios aparentemente lícitos, como restaurantes, lanchonetes, imóveis, quadra de futebol society, em uma clássica operação de lavagem de dinheiro, porém, com o detalhe de que a maiorias dos imóveis de sua propriedade sequer possuem matrículas e/ou escrituras pública, já que foram erigidos em área invadida da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

Segundo as investigações, um dos métodos de crescimento territorial da organização criminosa é “tomar cidades” e eliminar a concorrência, captando os traficantes locais para integrarem a organização criminosa, ou, caso haja resistência, eliminando-os e colocando membros da facção para assumir os pontos de vendas de drogas.

Um dos indivíduos investigados na operação é um traficante que cumpre pena no Presídio Regional de Passo Fundo/RS. Através das provas oriundas do material apreendido em sua cela, a polícia conseguiu apontar que a movimentação mensal do tráfico gerenciado pelo detento girava em torno de R$ 400.000, além de contatos com criminosos em liberdade envolvidos em diversos crimes como furto a estabelecimento bancário, roubo a residência, roubo de veículo e homicídio.

A operação, que contou com apoio aéreo do helicóptero da Polícia Civil, teve participação da Brigada Militar, da Polícia Rodoviária Federal, da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), e das Delegacias de Polícia Regionais do Interior (DPRIs) de Passo Fundo, Palmeira das Missões, Carazinho, Ijuí, Vacaria, São Leopoldo, Gravataí, Soledade e Pelotas, totalizando aproximadamente 320 agentes de segurança, sendo 280 policiais civis.

Informações: PRF e Polícia Civil

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