Polarização e nacionalização das discussões devem marcar eleições do RS, afirma cientista político

Até o fechamento desta matéria, partidos haviam confirmado 11 pré-candidatos ao posto de governador do Rio Grande do Sul. Segundo o cientista, o número tende a cair

Os pré-candidatos a governador(a) do Rio Grande do Sul

No dia 2 de outubro, os eleitores gaúchos – e de demais 25 estados e Distrito Federal – deverão ir às urnas para escolher quem comandará o Governo do Estado a partir de 1º de janeiro de 2023. Além disso, também votarão para os cargos de presidente da República, senador e deputados estadual e federal. Até o momento, a disputa pelo comando do Rio Grande do Sul tem 11 pré-candidatos. As mais variadas ideologias e projetos de governo serão avaliados pelos mais de oito milhões de gaúchos que estão aptos a votar. De acordo com a Justiça Eleitoral, os partidos têm de 20 de julho a 15 de agosto para realizar suas convenções, nas quais deverão ser anunciados seus candidatos definitivos. O pedido de registro da candidatura também deve ser feito até 15/08. Portanto, até essa data, o número de candidatos ainda pode aumentar ou diminuir.

Para o cientista político e professor da Universidade de Caxias do Sul (UCS) João Ignácio Pires Lucas, mesmo com um histórico de eleições enérgicas, que poderiam gerar disputas violentas e agressivas, o Rio Grande do Sul deve ter um pleito mais calmo do que em nível nacional. Segundo ele, atualmente, há uma nacionalização das discussões.

“Aquela agressividade, aquela violência na política, ela está num plano nacional em relação às disputas nacionais. As disputas locais, de certa maneira, vão se enquadrando, mas elas têm muito menos intensidade. Eu diria que a política regional das eleições, das disputas entre partidos, ela é muito menos agressiva e violenta pelas questões locais e muito mais pelas questões nacionais”, afirma o professor, não deixando de pontuar que o Rio Grande do Sul é um Estado onde a polarização em diversos campos é presente e comum, visto momentos históricos que fazem parte da cultura gaúcha, como o dos maragatos versus chimangos e até Grêmio versus Internacional.

Sobre o grande número de pré-candidatos, Lucas comenta que é comum, mas que, com o aproximar das eleições, a divulgação de pesquisas eleitorais e acordos políticos, esse número tende a cair. “No início [do período eleitoral] podem existir muitas candidaturas, mas com o tempo ou elas já saem do pleito, ou elas até continuam muitas vezes por outros motivos, para consolidar nomes e ter acesso a fundo partidário, fundo eleitoral e daí já vai construindo um espaço [na política], mas não com uma perspectiva de vitória”. Ou seja, mesmo que, no momento, sejam muitos os candidatos, as eleições tendem a ficar entre dois ou três candidatos mais fortes.

Um dos casos que tem chamado atenção desde o anúncio das pré-candidaturas é a ‘disputa’ entre o deputado estadual Gabriel Souza (pré-candidato pelo MDB) e o ex-governador Eduardo Leite (pré-candidato pelo PSDB). Lideranças políticas do MDB querem que o partido tenha candidatura própria. Já a maioria em votação interna entre prefeitos e vices do partido defendeu que se abra mão da candidatura para apoiar Leite, que é mais conhecido e tem mais chances de vitória, segundo emedebistas. A convenção estadual da sigla está marcada para o dia 31/07.

Outro caso é o de Onyx Lorenzoni (PL) e Luis Carlos Heinze (PP). Ambos são apoiadores do presidente e pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) e suas pautas, e, caso sejam candidatos oficiais, disputarão o voto dos mesmos eleitores bolsonaristas. No campo da esquerda, Beto Albuquerque (PSB), Edegar Pretto (PT) e Pedro Ruas (PSOL) buscam o voto daqueles que se identificam com a centro-esquerda/esquerda. Vale lembrar que em nível presidencial, PT e PSB são parceiros com o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, e também tem apoio do PSOL.

Na visão do cientista político, mesmo o número de pré-candidatos sendo grande, algumas propostas e ideologias são parecidas, o que pode gerar uma pequena confusão nos eleitores, rendendo uma indecisão nos votos, porém, quanto mais próximo das eleições, mais certeza do voto haverá. “As pesquisas mostram certa dispersão, mas quanto mais nos aproximarmos do primeiro turno, talvez já comecemos a perceber uma maior concentração de votos nas candidaturas que estiverem mais à frente”, pontua.

Os pré-candidatos, em ordem alfabética:

Beto Albuquerque (PSB)

Edegar Pretto (PT)

Eduardo Leite (PSDB)

Gabriel Souza (MDB)

Luis Carlos Heinze (PP)

Onyx Lorenzoni (PL)

Pedro Ruas (PSOL)

Rejane de Oliveira (PSTU)

Ricardo Jobim (NOVO)

Roberto Argente (PSC)

Vieira da Cunha (PDT)

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