Policiais militares envolvidos em morte de jovem têm prisão preventiva decretada

Os policiais militares Emerson Luciano Tomazoni, Gabriel Modesto Ceconi e Devilson Enedir Soares, envolvidos na morte do jovem bento-gonçalvense Lucas Raffainer Cousandier, de 19 anos de idade, no último dia 4, tiveram a prisão preventiva decretada na tarde desta quinta-feira, 11, pela juíza Milene Fróes Rodrigues Dal Bó, da 1ª Vara Criminal de Caxias do Sul. O mandado tem validade até 3 de março. O pedido de prisão partiu do próprio Comando Regional de Polícia Ostensiva da Serra (CRPO).

Na decisão, a juíza explica que há provas da existência do crime e indícios suficientes da autoria. “Durante as investigações feitas pelo próprio comando da BM, ficou demonstrado indícios de autoria por parte dos investigados, na medida em que as armas supostamente encontradas no veículo das vítimas não estavam na posse destes. Isso porque, dias antes do fato, os mesmos policiais teriam invadido a residência (do proprietário da arma, que não tem o nome informado no documento), sendo que este referiu que sua arma teria sido levada do local por tais policiais” explica. O GPS da viatura mostrou que ela permaneceu em torno de 50 minutos em frente à moradia, no dia em que ocorreu a invasão citada.

Uma testemunha teria informado que presenciou quando um policial conduziu a viatura envolvida na perseguição aos jovens de Bento até um local distante do ocorrido e disparou contra o veículo. No lugar onde ocorreram os tiros, os investigadores encontraram lascas de tinta do veículo.

A juíza destacou também que os depoimentos das outras duas vítimas, que estavam no automóvel, demonstraram que eles fugiram em razão de o condutor ter ingerido bebida alcoólica. “Também referiram que, após a abordagem, foram retiradas do local, permanecendo de cabeça abaixada dentro da viatura, tendo dado algumas voltas dentro de outra viatura da BM, que chegou ao local em razão da ocorrência. Após, referiram que retornaram ao local do fato, momento em que foram questionados sobre as armas que teriam sido localizadas”, aponta Milene. “Assim, diante de tais fatos, em especial a tentativa de forjar provas, no intuito de incriminar as vítimas, tendo sido praticados por pessoas que têm o dever de proteger a população, é de se decretar a prisão preventiva dos investigados”, finaliza a magistrada.

Relembre o caso

A tentativa de abordagem ao veículo em estavam as vítimas ocorreu por volta das 4h30 do último dia 4. O condutor, de 22 anos, não obedeceu à ordem de parada, por estar embriagado e com temor de ser preso. Eles então fugiram dos policiais, que iniciaram uma perseguição por várias ruas de Caxias do Sul. Pararam apenas na Perimetal Sul, após os brigadianos começarem a atirar, segundo a versão do motorista, em entrevista concedida à reportagem do Grupo RSCOM (o SERRANOSSA entrou em contato com o jovem, mas ele preferiu não se manifestar). Ele acabou batendo no meio-fio e em uma árvore, após perceber que Cousandier estava ferido.

O condutor foi autuado por embriaguez e, após pagar fiança, foi liberado. Os dois sobreviventes afirmam desde o início das investigações que não tinham armas dentro de veículo e que não atiraram nos policiais.

Os policiais envolvidos no fato, segundo o comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar (12º BPM), tenente-coronel Ronaldo Buss, já haviam sido afastados dos trabalhos nas ruas e realizavam serviços administrativos.

Foto: William Mota/Grupo RSCOM/Divulgação

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