Presídio recebe novo raio-x e cobranças

O Presídio Estadual de Bento Gonçalves começou a utilizar nesta semana um novo aparelho de raio-x para revista em objetos. A tecnologia substituirá, de forma mais ágil, o trabalho manual feito pelos agentes em sacolas e mantimentos que são encaminhados por familiares aos apenados. Na manhã da última quarta-feira, dia 29, o presidente do Conselho da Comunidade na Execução Penal, José Ernesto Morgan Oro, esteve no local para conferir o funcionamento da tecnologia: embora tenha elogiado o novo sistema, ele disse estar decepcionado com o descaso da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) quanto aos demais problemas da casa prisional.

Oro afirmou que fica o raio-x o tornará o serviço mais humanizado tanto para as visitas quanto para os apenados. Mesmo assim, ressaltou que há muito que melhorar em termos de estrutura interna. “Lamentavelmente, no próximo mês, se completa um ano da última rebelião e nada foi feito até agora para recuperar as celas. Isso é um descaso com as vidas que estão lá dentro”, lamenta. O motim foi registrado em 8 de maio de 2014, comprometendo gravemente a situação de pelo menos duas celas.

Segundo o presidente do Conselho da Comunidade, também existem problemas sérios de atendimento e é preciso oferecer condições mais dignas para os detentos. “Nós temos que ter consciência de que quem está aqui dentro está pagando por algo que foi feito lá fora. Agora, essa pena tem que ser paga com dignidade. Nós ainda temos que melhorar muita coisa dentro do presídio”, alerta Oro.

Na visão dele, as condições precárias geralmente são o estopim para novas rebeliões. “O presídio está superlotado, estamos retornando as condições antigas e é por isso que acontecem as rebeliões. Hoje, temos celas onde 20 homens dividem um pequeno espaço, isso não pode acontecer.  A direção até tenta fazer um bom trabalho, mas com as condições dadas fica difícil para qualquer um trabalhar”, reclama.

Oro diz não acreditar que o novo presídio seja construído em pouco tempo. “Em menos de seis ou sete anos, esse presídio não vai sair do centro de Bento Gonçalves, já falei isso em outras ocasiões. A prefeitura tem feito um trabalho especial em cima dessa questão, mas o Estado não tem dinheiro para construir”.

Ainda de acordo com Oro, a Susepe não autorizou o Conselho para intervir e realizar com verba própria as reformas necessárias. “Eles dizem que têm R$ 519 mil para as obras, mas eu já sei que isso é apenas uma rubrica. Eu quero saber onde está o dinheiro. Essa reforma era para sair em junho do ano passado e até agora nada”, reclama.

Promessa

A última promessa do Governo do Estado era que as obras iniciariam neste mês de abril. Segundo o diretor de engenharia prisional da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Alexandre Micol, todos os levantamentos técnicos e orçamentários estão prontos e o valor da obra está orçado em R$ 512 mil. Mas, até o momento não há informações concretas sobre a licitação e, tampouco, sobre o começo dos reparos.

Para Oro, o valor divulgado pelo órgão estadual para a realização das reformas é alto demais para o serviço anunciado. “Esse valor divulgado para o conserto das celas é um absurdo, é muito alto. Nós faríamos com muito menos dinheiro”, garante.

 

Novo equipamento

A esteira de raio-x que começou a operar no Presídio de Bento Gonçalves havia sido utilizada no Estádio Beira-Rio durante a Copa do Mundo 2014. Além de Bento Gonçalves, a Penitenciária Industrial de Caxias (Pics), a Penitenciária Regional de Caxias (Percs), na localidade de Apanhador, e o Presídio de Vacaria também receberam parte dos equipamentos.

A reforma em parte do prédio para que o equipamento fosse instalado foi realizada com mão de obra prisional. O custo da obra foi de aproximadamente R$ 5 mil e as verbas foram doadas pelo Conselho da Comunidade. 

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