Rio Grande do Sul ganha Pacto pela Educação

Um dos primeiros objetivos da iniciativa é recuperar o aprendizado perdido pelos estudantes gaúchos devido à pandemia

Ronald Krummenauer, integrante do Comitê Executivo do Pacto explicou como as pessoas podem se engajar ao movimento. Foto: Feijão

Um movimento colaborativo que pretende tornar o Rio Grande do Sul uma referência em educação no cenário nacional e internacional foi lançado na manhã de terça-feira, 31/05, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. Batizada de ‘Pacto pela Educação’, a proposta foi idealizada por um grupo de pessoas que acredita que só será possível mudar a sociedade pela educação.

A ideia é contar com o engajamento de toda a sociedade, que pode aderir à causa com ações simples que vão desde a assinatura digital do manifesto até a participação como voluntário nas ações propostas pelo Pacto. O evento de lançamento contou com mais de 50 convidados, entre pessoas da sociedade civil, autoridades, dirigentes de entidades, educadores e representantes de instituições de ensino.

Na abertura do evento, Alyne Jobim, integrante do Comitê Executivo do Pacto, explicou os motivos que levaram o grupo a pensar na criação de um movimento para melhorar a educação no Rio Grande do Sul. Ela destacou os impactos na aprendizagem de crianças e adolescentes em consequência da pandemia, especialmente nas famílias em situação de vulnerabilidade social. “Em 2020, a taxa de conclusão dos alunos do Ensino Médio com 19 anos era de 58,8% entre os mais pobres e de 92,6% entre os mais ricos. Esse abismo entre as classes sociais ficou ainda maior depois da pandemia”, justificou Alyne. Ela também apresentou uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial que aponta que, no Brasil, somente 36,9% da população ativa demonstra habilidades digitais que correspondem a conhecimentos em informática, programação básica e leitura digital.

Na sequência, Mônica Timm de Carvalho, que também integra o Comitê Executivo, apresentou a ideia central do Pacto e seus principais eixos. Um dos primeiros objetivos da iniciativa, segundo ela, é recuperar o aprendizado perdido pelos estudantes gaúchos devido à pandemia. A médio e longo prazos, a ideia é criar novas referências de educação conectadas às realidades e necessidades da sociedade do século XXI.

Mônica Timm de Carvalho, integrante do Comitê Executivo do Pacto, apresentou os objetivos da proposta. Foto: Feijão

Mônica falou sobre os sete eixos que estruturam a proposta inicial do Pacto: educação como responsabilidade coletiva; educação baseada em evidências; valorização e formação continuada dos profissionais da educação; avaliação do impacto da docência na aprendizagem; reorganização da governança na educação; novos ambientes de aprendizagem; e educação como base do desenvolvimento social, ambiental e econômico.

Para ela, o foco central do movimento é mobilizar a sociedade gaúcha para que não apenas coloque a educação como a prioridade do Estado, mas especialmente a aprendizagem dos estudantes no centro das atenções. “Entendemos que outras variáveis são importantes e vão influenciar na qualidade da educação, mas muitas vezes ficamos analisando essas variáveis dependentes e pouco se, de fato, elas estão trazendo resultados efetivos na qualidade da aprendizagem dos alunos. Esse é o ponto central”, defendeu. Ao final da sua fala, Mônica fez a leitura do manifesto e convidou a todos os presentes o assinarem por meio de um QR Code.

Na segunda parte do evento, Cezar Paz, também integrante do Comitê, explicou o conceito da logomarca criada para representar o Pacto pela Educação. “A imagem é proposta por sete orbitais que representam os sete eixos desse movimento, que propõe a formação de um Pacto pela Educação”. Ele acrescentou que as três esferas que circulam pelos orbitais se referem aos princípios do Pacto: equidade, inclusão e diversidade.

Na parte final do encontro, Ronald Krummenauer e Leandro Duarte Moreira, que também integram o Comitê Executivo, explicaram os passos seguintes da proposta. Até o dia 1 de julho, por meio do site pactopelaeducacao.org, é possível apresentar sugestões, se cadastrar como voluntário e fazer doação de recursos para a viabilização das propostas. Para Krummenauer, a educação não é somente responsabilidade do poder público. “A sociedade precisa se engajar e ajudar a torná-la a base para todos os projetos de desenvolvimento dos municípios e do Estado. A participação das pessoas na construção de um pacto pela educação é o que de mais importante podemos fazer para nossos alunos. Escolha a maneira de participar, mas não deixe de colaborar”.

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