Sem indiciamentos, polícia conclui inquérito do caso do sumiço dos gatos em Bento

Conforme o delegado Renato Nobre Bias, que comandou as investigações, não houve invasão de domicílio, nem constatação de maus-tratos. Animais levados de residência no Conceição teriam sido adotados em Muçum

Registro de uma das manifestações sobre o sumiço dos gatos em fevereiro. Foto: arquivo/SERRANOSSSA

Um caso que chamou a atenção da comunidade bento-gonçalvense no início do ano teve um desfecho final nos últimos dias. O Inquérito Policial que investigou o sumiço de nove gatos de uma residência do bairro Conceição em fevereiro foi remetido ao Poder Judiciário sem indiciamentos.

Conforme o delegado Renato Nobre Bias, da 1ª Delegacia de Polícia (1ªDP), foram ouvidos os proprietários da casa, o casal que alugava o imóvel e cuidava dos animais, vizinhos e pessoas da secretaria municipal de Meio Ambiente. “Foi apurado que não teve responsabilização criminal. O inquérito foi instaurado, principalmente, para apurar se teve responsabilização dos agentes fiscais da vigilância, uma vez que teriam tirado os animais a força e se desfeito deles, sem saber o destino dos gatos”, explica.

Entretanto, de acordo com o delegado, foi constatado que não teria tido invasão de domicílio, já que a entrada na casa teria sido autorizada, e também não teria tido comprovação de maus-tratos. “Os animais foram retirados pelo proprietário da casa. O próprio casal [que cuidava dos gatos] dias antes havia pedido auxílio, porque não tinha mais como cuidar. Então tiraram os gatos e levaram para Muçum, onde teriam pessoas interessadas [em adotá-los]”, afirma o delegado.

Um dos animais teria morrido durante o transporte, “por já estar bastante debilitado”. Os demais, segundo afirma Bias, foram adotados na cidade de Muçum. “Também não teve responsabilidade dos agentes da vigilância, pois estavam ali para ajudar”, complementa o delegado.

A prefeitura de Bento Gonçalves também abriu sindicância para investigar a conduta dos funcionários da pasta de Meio Ambiente que estiveram presentes no dia do fato. Entretanto, conforme informações da assessoria de imprensa da prefeitura, a sindicância ainda não foi concluída.

Relembre o caso

No dia 17/02, João Fernando Cipriani, morador do bairro Conceição, teria sido surpreendido com a presença dos proprietários da casa que aluga, além de fiscais da Vigilância Sanitária e da secretaria de Meio Ambiente de Bento Gonçalves. O local estaria sendo alvo de diversas denúncias em relação à quantidade de gatos que João e sua família cuidam.

Na época, em conversa com o SERRANOSSA, João havia afirmado que a casa havia sido “invadida” pelos proprietários e fiscais. “Eles pegavam os gatos, colocavam dentro de sacos e jogavam no porta-malas. Eu até tentei impedir. Pedi pra não levarem um ceguinho, que a gente gostava bastante, mas não adiantou”, contou João. De acordo com seu relato na ocasião, pelo menos nove animais foram levados. “Só não pegaram mais, porque a maioria estava na rua”, complementou.

No dia dos fatos, a Vigilância Ambiental havia deixado uma notificação confirmando que nove animais teriam sido levados pelo proprietário da casa e que seu João se comprometeria a ficar com apenas quatro gatos na residência.

O fato gerou revolta na comunidade, diante da falta de informações sobre o destino dos animais. Pelo menos duas manifestações foram realizadas por protetores da causa animal no município. Também houve uma rede de apoio ao casal que cuidava dos animais, tendo em vista que diversos outros gatos permaneceram no local.

Conforme reafirma o delegado Renato Nobre Bias, os gatos realmente foram levados para Muçum e encaminhados para adoção. “Já havia pessoas esperando pelos animais”, ressalta o delegado, em referência à data em que os gatos foram retirados da residência no Conceição e transportados pelo proprietário do imóvel.

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